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ABEL COELHO DE MORAIS
Japão está a ser alvo de críticas
Partiram do porto de Shimonoseki, no Sul do Japão, como quem parte para a guerra. Ao som de uma banda, com os familiares a lançarem serpentinas sobre os barcos e soltando entusiásticos gritos de despedida enquanto as crianças agitavam bandeirinhas onde, não sem ironia, se viam impressas imagens de sorridentes baleias.
Comandados pelo Nisshin Maru, embarcação de oito mil toneladas, são cinco barcos de grande porte tripulados por 239 marinheiros que estão a caminho do Pacífico Sul para a 21.ª campanha do Instituto de Investigação de Cetáceos (ICR, na sigla em inglês). O instituto foi criado em 1987, um ano depois de ter entrado em vigor a moratória à caça comercial da baleia. Os cinco barcos vão permanecer cinco meses no alto mar para caçar no total 1035 baleias.
Serão capturadas 50 baleias-de--bossa, 50 baleias-comuns, o segundo maior animal do mundo a seguir à baleia-azul, e 935 baleias-anãs. Esta espécie é considerada em situação menos crítica, estimando-se que a sua população se situe na casa dos 700 mil elementos. A campanha motivou críticas dos governos australiano e neozelandês, países do Pacífico Sul, e levou organizações ambientalistas, como a Greenpeace e a Sea Shepherd, a prometerem um contra-ataque que perturbe a actividade da frota nipónica.
A maioria das espécies de baleias é considerada actualmente em risco de extinção (ver gráfico), embora moratórias à sua pesca tenham permitido a recomposição parcial das populações de algumas espécies.
Irão ser caçadas baleias-de-bossa pela primeira vez desde 1963, quando foi estabelecida uma moratória por a espécie se encontrar à beira da extinção. É exactamente a caça às baleias-de-bossa, espécie classificada "vulnerável" pela World Conservation Union, que desencadeou os principais protestos, esgrimindo os ambientalistas e responsáveis nipónicos argumentos contrários sobre esta actividade. Para um porta-voz da Greenpeace citado ontem pela BBC, "aquele tipo de baleias vive em pequenos cardumes e, por isso, a morte de um elemento pode afectar os restantes". Em sentido oposto pronunciou-se, também à BBC, um porta-voz do ICR, garantindo que "a morte de 50 destas baleias numa população de dezenas de milhares não terá qualquer impacto significativo".
"Não gostamos que todos esses baleeiros venham para esta região", afirmou a chefe do Governo neozelandês, Helen Clark. "Seria muito melhor se os japoneses não viessem para aqui sob o pretexto de pesquisa científica quando, na verdade, vão matar mil baleias", lançou.
O seu homólogo australiano, John Howard, foi mais comedido, mas não deixou de "desaprovar por completo o que fazem os japoneses na pesca da baleia". Mais frontal, o seu ministro dos Negócios Estrangeiros, Alexander Downer, declarou "a pesca científica da baleia é apenas uma expressão que usam para camuflar o facto de que estão a caçá-las".
Também a Grã-Bretanha reagiu em termos firmes, tendo um porta-voz governamental referido a hipótese de um protesto diplomático ao mais alto nível.
Após a entrada em vigor da moratória à pesca comercial da baleia em 1986, o Japão anunciou a criação do ICR para contornar a proibição, argumentando que as actividades do instituto têm propósitos científicos. Mas nunca desistiu do combate para levantar a proibição, no que tem sido pontualmente apoiado pela Noruega, Dinamarca e Islândia, países que também praticam a caça à baleia.
Para o Japão, que define este tipo como actividade ancestral e, por isso, civilizacional, a moratória à caça comercial da baleia já não se justifica devido à existência de recursos que permitem determinar a situação real das várias espécies, explicava em Maio passado à BBC o director do IRC, Hiroshi Hatanaka. Mas os críticos argumentam que um trabalho de pesquisa sobre uma espécie não se faz abatendo os seus elementos - o que acaba por constituir a tarefa central da frota baleeira nipónica. com agências
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