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Sócrates foi "feio" com Santana, diz Menezes

por

JOÃO PEDRO HENRIQUES

ORLANDO ALMEIDA (imagem)  

Usando uma imagem histórica, Luís Filipe Menezes reconheceu ontem, implicitamente, a derrota da bancada do PSD, agora liderada por Pedro Santana Lopes, no debate do Orçamento do Estado.

O líder do partido foi à Assembleia almoçar com a direcção do grupo parlamentar. Interpelado pelos jornalistas, comentou o primeiro dia de debate: "Depois de Austerlitz há sempre um Waterloo."

Segundos depois, voltaria a dizer: "Sócrates há-de ter o seu Waterloo", acrescentando um sintomático "vamos com calma". Waterloo foi a batalha que derrotou definitivamente Napoleão Bonaparte. "Vamos fazer a avaliação no fim. Não é com dez minutos de jogo. É no final do jogo", disse ainda, como quem pede paciência.

Usando esta imagem, que a esmagadora maioria dos portugueses não alcançará, Menezes assumiu assim implicitamente - como aliás o próprio Santana já assumira, na véspera, explicitamente - que o primeiro dia do debate do Orçamento correu mal ao seu líder parlamentar.

O líder do PSD aproveitou depois para se queixar do estilo das intervenções do primeiro-ministro, sobretudo na forma como respondeu a Santana. Revelou "falta de respeito por um ex-primeiro-ministro": "Foi feio, muito feio", considerou. "O primeiro-ministro não deve ter a agressividade que ontem teve. Parece que é proibido ser oposição."

Pelo meio jurou estar "muito feliz" com o seu grupo parlamentar e respectiva direcção. Garantindo ainda ter uma avaliação "muito positiva" do respectivo desempenho no debate orçamental. Tentou, novamente, dar a táctica ao grupo, para as questões a colocar a Sócrates.

Atacar pelo lado, por exemplo, dos gastos em viagens oficiais, cujas previsões orçamentais são, segundo disse, trinta por cento superiores aos gastos previstos para a inclusão da vacina contra o cancro do colo do útero no plano nacional de vacinação. "Ficou patente que o primeiro-ministro não responde a nada", afirmou.

O ambiente ontem no grupo parlamentar do PSD era de cortar à faca. Não houve um único deputado - a começar pelo próprio Santana - que não se tivesse apercebido da sua derrota no duelo com o primeiro-ministro.

Muitos - embora sempre veladamente - criticaram-lhe o ter-se deixado cair na ratoeira do "passado". E contrapunham à forma airosa como Paulo Portas a evitou. A direcção do grupo dava sinais, entretanto, de desorientação na condução da sua própria intervenção. Os microfones do plenário registaram um vice-presidente da bancada, Mário Patinha Antão, a dizer "quero falar, quero falar" (para responder a Augusto Santos Silva), sendo no entanto a palavra atribuída a Jorge Neto (presidente da comissão de Finanças e director do "Povo Livre").

De viva voz, dando a cara, só uma voz surgiu no PSD criticando abertamente Santana. Foi a "mendista" Paula Teixeira da Cruz: "O momento de ontem foi um mau momento. Quem gosta de espectáculos arrisca-se a participar em maus espectáculos."

Ângelo Correia, apoiante de Menezes que se opôs à solução Santana para a liderança da bancada, refugiou-se, interpelado pelo DN, num prudente silêncio: "Não faço declarações sobre prestações de colegas meus."|


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