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"Ach Brito tem sido uma escola de vida"

por

HELDER ROBALO  

Por entre duas gargalhadas, Aquiles de Brito aponta a sua entrada para a gerência da Ach Brito como um dos momentos mais críticos da empresa nos últimos 15 anos. Aos 22 anos, deixou o curso de marketing a meio, abdicou da "vida óptima que tinha" e passou a ocupar-se, a tempo inteiro, de uma empresa que, na altura, empregava 110 trabalhadores. "Esse foi sem dúvida um momento delicado, até porque não tinha qualquer experiência de gestão", conta um dos dois gerentes, irmãos, da empresa de sabonetes actualmente sedeada em Fajozes, Vila do Conde.

De um momento para o outro, os irmãos Aquiles e Sónia de Brito viram-se "com o menino nas mãos ainda muito novos", forçados a decidir entre a venda de uma empresa que foi fundada pelo bisavô Achilles Alves de Brito ou pela assunção da gerência da empresa. "Eu e a minha irmã já éramos sócios passivos, por herança do nosso pai e do nosso avô, mas um tio nosso era, digamos assim, o sócio activo e era ele quem geria a empresa", conta Aquiles .

Só que em 1992, esse tio decidiu deixar a empresa. "Entre vendê-la e passar a ter aqui um sócio estranho ou ficar com a empresa, preferimos a segunda opção", lembra Aquiles de Brito, que, confessa, na altura tomou "a decisão um pouco mais com o coração do que com a cabeça". Contudo, como seria de esperar, esta decisão teve consequências imediatas. "De um momento para o outro a minha vida e a da minha irmã mudou totalmente, tinha uma vida óptima", recorda, divertido, acrescentando que "estudava, passeava, saía com os amigos e tive de deixar isso tudo para começar a gerir a empresa".

Hoje em dia assegura que valeu a pena assumir a gerência da Ach Brito tão jovem, mas admite que, na altura, se questionou muitas vezes sobre da decisão que tinha tomado. "Abdiquei de muitas daquelas coisas que são normais para um jovem de 22 anos, mas não me arrependo", diz. Mas assegura: "Até ao momento o negócio da minha vida foi a Ach Brito e há-de continuar a ser, espero eu, durante muitos anos."

Conta que "os primeiros tempos foram complicados, já que era preciso conhecer toda a realidade da empresa" e a experiência como administrador era nula. Aquiles de Brito conta que nos 15 anos que leva à frente da empresa, em termos de momento delicados, só encontra uma situação paralela. "Momentos assim difíceis só a minha entrada na Ach Brito e quando tivemos de fechar a área de litografia", refere, lembrando que "havia 110 pessoas que trabalhavam aqui, muitas vezes com casos de casais e pais e filhos".

Nos primeiros tempos de gestão daquela que considera "uma escola de vida", a irmã foi um apoio importante. "Perdemos o nosso pai muito cedo e isso ajudou a criar uma grande união", explica. Ultrapassando com alguma facilidade "problemas são naturais em empresas familiares". Num negócio que até já pode ter um sucessor. "Não sei se isso quer dizer alguma coisa, mas já existe um quinto Aquiles."

Actualmente, a empresa de sabonetes, que até já foi recomendada num catálogo de Natal de Oprah Winfrey, concentra muita da sua actividade na exportação. "Esta é uma empresa que, acredito, ainda tem muito para dar."Até porque, explica Aquiles de Brito, "estamos a começar a entrar numa fase com alicerces mais sólidos, depois de 14 ou 15 anos de luta". "Basta que continue a haver mercados para explorar", garante. |


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