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ROBERTO DORES, Setúbal
Portugueses admitem regrar quantidades diárias de captura
A população de percebes está ameaçada no Litoral Alentejano e Costa Vicentina. Este Verão confirmou a tendência do ano passado e no final de Agosto já não havia praticamente recursos. Os cerca de 80 mariscadores licenciados para a extracção daquele molusco já admitem tomar medidas que disciplinem o sector. Uma comitiva de 13 representantes regressou ontem da Galiza, no Norte de Espanha, onde tomou contacto com as experiências dos mariscadores das confrarias San José de Cangas e Bueu, na comarca de Morrazo, Pontevedra, reconhecendo as "grandes diferenças" entre as duas regiões.
Na raia espanhola a captura desenfreada de percebes obrigou os mariscadores a interromperem a actividade durante seis anos. Aconteceu nos anos 80 mas os mariscadores galegos não esqueceram essa fase e aprenderam com o erro. As confrarias decidiram organizar o sector tornando-o um exemplo que a Associação dos Mariscadores da Costa Vicentina e Sudoeste Alentejano (AMCVSA) admite seguir agora, confrontada com o abrupto desaparecimento daquela espécie.
O sinal vermelho, dado há um ano, agudizou-se nos últimos dois meses e receia-se que a época de defeso - de 15 de Setembro e 15 de Junho - não chegue para recuperar a população. Para que o cenário dos anos 80, na Galiza, não se repita no Litoral Alentejano e Costa Vicentina, urge lançar regras de coordenação. As quantidades diárias que cada mariscador pode apanhar é um dos temas que vai agora ser analisado.
Nesta altura em Portugal é permitida a captura de 20 quilos de percebes, que podem ser vendidos fora das lotas, desde que haja autorização da Direcção-Geral das Pescas, cabendo aos próprios mariscadores estabelecer o preço. Em Pontevedra, na Galiza, a venda só é admitida nas lotas, enquanto cada marisqueiro só pode apanhar quatro quilos.
Os preços andam pelos 50 a 70 euros o quilo, podendo chegar aos cem euros em dias de menos oferta. Já do lado português, o consumidor consegue adquirir um quilo de percebes a partir de 15 euros.
A bióloga Dora de Jesus, da AMCVSA, estima que para garantir a sustentabilidade os mariscadores portugueses não deveriam capturar além dos dez a 15 quilos diários, admitindo que a área de captura é muito considerável, dando uma média de um quilómetro de costa por cada um dos 80 marisqueiros registados.
Na Galiza, 60 pessoas exploram apenas 20 quilómetros sob regras apertadas em termos de fiscalização, que é paga pelas próprias confrarias. São estas estruturas que asseguram também o apoio à comercialização, sendo que os percebes ali capturados são depois vendidos em Barcelona, Madrid e Valência, locais com grande poder de compra.
O encontro entre mariscadores galegos e portugueses que ontem terminou decorreu ao longo de quatro dias e contou com o apoio do município de Odemira. Os portugueses regressaram ontem a casa.
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