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Certificados de aforro rendem 3,65% durante o mês de Outubro

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PEDRO FERREIRA ESTEVES  

A subida das taxas Euribor tem efeitos negativos no consumo, em particular nos créditos, mas continua a ter reflexos positivos em alguns dos instrumentos de poupança disponíveis no mercado português. Os Certificados de Aforro rendem cada vez mais, tendo as melhorias das rentabilidades registadas nos dois últimos meses atingido uma dimensão equivalente às subidas registadas nos cinco meses anteriores.

A taxa bruta de rentabilidade para quem subscrever Certificados de Aforro durante este mês foi fixada, pelo Instituto de Gestão de Crédito Público (IGCP), nos 3,652%. Trata-se de um novo máximo desde meados de 2001 e culmina uma série de subidas registada desde Outubro de 2005. Uma trajectória que acompanha os ganhos registados pelas taxas Euribor (referência para o cálculo da rentabilidade dos Certificados de Aforro).

Acima dos depósitos

Desde Março deste ano que os Certificados de Aforro superam, em termos de juros brutos, os depósitos a prazo tradicionais oferecidos pelos bancos portugueses. Em termos comparáveis (nomeadamente no que diz respeito aos prazos mais longos de investimento), as taxas mais altas dos depósitos estão apenas ligeiramente acima dos 3%.

No entanto, no último ano, os bancos têm procurado diversificar a sua oferta neste segmento mais conservador. Actualmente, os clientes podem encontrar depósitos a prazo de curta duração (três a seis meses), com taxas que variam entre os 4% e os 6%. Nalguns casos mais específicos, a taxa pode mesmo chegar aos 8%.

Todos estes juros superam os dos Certificados de Aforro. No entanto, a natureza de maior longo prazo deste produto de poupança, faz com que quanto mais tempo o aforrador permanecer nos Certificados, maior será o retorno. Isto porque, ao final de quatro anos, o reembolso é acrescido de um prémio de 2%.

Euribor em máximos

Os Certificados de Aforro replicam em 80% as taxas Euribor de três e 12 meses. Um valor que foi cortado em Agosto do ano passado pelo Governo - face aos anteriores 94% - com o argumento de redução da despesa do Estado com este instrumento de poupança. No entanto, a subida imparável das Euribor em todos os seus prazos permitiu ultrapassar em pouco tempo o efeito desta medida administrativa.

Entretanto, as Euribor continuam a subir e, ontem, a de três meses atingiu um novo máximo desde Maio de 2001 nos 4,791%. Uma evolução que replica, em parte, as expectativas de subidas das taxas de juro por parte do Banco Central Europeu. E que traduz o valor que os bancos cobram aos empréstimos entre si. O que, no actual contexto de crise financeira, poderá vir a provocar novas subidas nos Certificados de Aforro.

Volumes seguem a crescer

Um sinal da popularidade crescente deste instrumento de poupança está relacionado com a contínua entrada de dinheiro nas suas carteiras. No final de Agosto, o montante da dívida do Estado emitido através dos Certificados chegou aos 17,733 mil milhões de euros. Mais 3% do que no início do ano e um crescimento de 23% em relação ao final de 2001.

Este crescimento do interesse dos portugueses nos Certificados de Aforro - atraídos pela sua simplicidade, facilidade de compreensão e, sobretudo, pelas crescentes taxas de retorno -, levou o Governo a pedir ao IGCP um estudo com vista à reformulação da sua estrutura. Até à data, ainda não são conhecidas as eventuais alterações a adoptar. |


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