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Barrosistas cerram fileiras à volta de Passos Coelho, "alternativa no futuro"

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ANA SÁ LOPES e FRANCISCO ALMEIDA LEITE  

A derrota de Marques Mendes é extensiva a outros dois "ismos" muito populares no PSD: o barrosismo puro e duro e o cavaquismo que não apoiou Marques Mendes. No próximo Congresso do PSD, o DN sabe que elementos do antigo núcleo-duro do barrosismo se preparam para passar à "conspiração activa", apoiando o ex-líder da JSD, Pedro Passos Coelho, que irá ao Congresso de Torres Novas ensaiar-se como "alternativa no futuro".

Pedro Passos Coelho foi um muito popular líder da JSD durante o cavaquismo e um dos estrategas em 1995 da candidatura (falhada) de Durão Barroso à liderança do partido. "Roubou" a distrital de Lisboa a Pacheco Pereira, mas, mais tarde, abandonou a vida política activa. Regressa com Marques Mendes, de quem chega a ser vice-presidente mas, mais tarde, bate com a porta, discordando dos métodos do agora derrotado líder do PSD.

Pedro Passos Coelho nunca escondeu aos seus mais próximos ter ambições de um dia vir a liderar o PSD. Se ensaiar neste congresso uma alternativa sólida à liderança de Menezes, Pedro Passos Coelho poderá fazer desistir eventuais futuros "candidatos a líderes" como Nuno Morais Sarmento e José Pedro Aguiar Branco, a quem o une uma solidariedade geracional.

A alternativa começa, pois, a ser estruturada a partir de hoje. com a vitória de Luís Filipe Menezes, o velho núcleo-duro de Durão Barroso ficou "desamparado" no partido. Afastados também de qualquer poder interno enquanto durar a era Menezes estão os cavaquistas.

Apesar de Manuela Ferreira Leite ter optado por não apoiar qualquer candidatura às directas - Marques Mendes esperou em vão um sinal de apoio que nunca chegou a aparecer e a responder à "chamada" - é óbvio que, por muitas críticas que a ala cavaquista tivesse a fazer à gestão de Marques Mendes à frente do partido, a verdade é que hoje se encontra ainda mais distante do poder instituído na São Caetano à Lapa.

Para os cavaquistas, o PSD voltou ao tempo de Santana Lopes - é um partido onde não têm lugar. Pacheco Pereira deu ontem voz a esta corrente, no seu blogue Abrupto, colocando, aliás, no mesmo plano os tempos de Santana Lopes e a futura liderança do PSD protagonizada por Luís Filipe Menezes.

Escreve Pacheco: "Teria sido vitalmente necessário fazer uma análise sobre o que aconteceu com a experiência de Santana Lopes, cujo pressuposto karma eleitoral garantia vitória sobre vitória, até ao desastre final. Ninguém a quis fazer e agora paga o preço dessa omissão. O que a eleição de Menezes revela é que o PSD não aprendeu nada sobre o que se passou em 2004-5, e comportou-se exactamente da mesma maneira como quando deu a Santana Lopes um aplauso unânime para se tornar no 'menino-guerreiro'. Agora está a repetir o mesmo e terá os mesmos resultados."

A verdade é que ninguém, no interior do barrosismo ou do cavaquismo, se dispôs a comparecer a congresso - a perspectiva de derrotar Sócrates ainda vem longe.|


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