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por
INÊS DAVID BASTOS
TIAGO PETINGA-LUSA (imagem)
O jornalista que recebeu esta semana o Prémio Gazeta Revelação 2006, João Pacheco, dedicou o galardão a todos os jornalistas precários e anunciou que vai usar o prémio para pagar as suas "dívidas à Segurança Social", já que é, ele próprio, um profissional a recibos verdes à peça.
"Como trabalhador precário que sou, deu-me gozo especial receber o Prémio Gazeta Revelação, do Clube de Jornalistas. A minha parte do dinheiro servirá para pagar dívidas à Segurança Social", disse o agora colaborador da revista Visão, durante a cerimónia de entrega do galardão, que contou com a presença do Presidente da República, Cavaco Silva.
"Achei que era uma boa oportunidade para chamar a atenção para um problema que é cada vez mais transversal, infelizmente", disse ao DN João Assis Pacheco, filho do falecido jornalista, poeta e escritor Fernando Assis Pacheco. O jornalista confirmou que vai usar a sua parte do prémio de cinco mil euros (que será dividido com os repórteres fotográficos que participaram nas reportagens que concorreram ao prémio) "para regularizar a situação na Segurança Social".
"Após quase três anos de trabalho, continuo a não ter qualquer contrato. Não tenho rendimento fixo, nem direito a férias, nem protecção na doença", lamentou o jornalista, que adiantou ao DN estar a criar com "outros colegas na mesma situação" o Movimento Precários Inflexíveis, contra a precariedade. "Está ainda em fase embrionária mas servirá para chamar a atenção para o problema e fazer pressão", sublinhou.
E João Assis Pacheco, que ganhou o prémio por três reportagens publicadas na revista Pública, do jornal Público, aproveitou precisamente a cerimónia de entrega dos prémios para homenagear todos os profissionais da comunicação social que trabalham numa situação precária. "Não sei se é costume dedicar-se este tipo de prémios, mas vou dedicá-lo. A todos os jornalistas precários", disse. "Se a minha situação fosse uma excepção, não seria grave. Mas, como é generalizada - no jornalismo e em todas as áreas profissionais -, o que está em causa é a democracia. E no caso específico do jornalismo está em causa a liberdade de imprensa", sublinhou, sob o olhar de Cavaco Silva.
"Eu até tenho tido alguma notoriedade e espaço no jornalismo, tenho porta aberta em várias redacções, mas parece que a regra agora é não dar contratos a ninguém", criticou ao DN o jornalista.
"O almoço ilegal está na mesa", "A caça à pedra maneirinha" e "Guardadoresdesementes" foram as reportagens que deram o prémio a João Assis Pacheco.|
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