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ANA TOMÁS RIBEIRO
ANDRÉ CARRILHO (imagem)
Foi quando os preços dos combustíveis entraram em vertiginosa curva ascendente que um grupo de pequenos e médios empresários do Algarve se reuniu para procurar formas de atenuar os efeitos negativos deste aumento de custos. Depois de várias tentativas, sem êxito, para encontrarem apoios públicos para o problema, chegaram à conclusão de que a única forma de contornarem a situação era juntarem-se para se fazer ouvir junto dos fornecedores. A criação de um agrupamento de empresas surgiu então como a solução. Isolados, os seus consumos eram pouco significativos, mas juntos conseguiam formar o um bolo bem mais atractivo aos olhos dos fornecedores e força negocial para obter descontos, que se traduziriam em poupanças e ganhos de competitividade. O que já faziam os vizinhos espanhóis serviu-lhes de exemplo. "Aliás, uma das desvantagens dos empresários portugueses em relação aos espanhóis é a falta de associativismo", disse ao DN Honório Teixeira, administrador da Visacar, uma das empresas que integram o agrupamento desde o início.
Acabaram assim por constituir o AECCP - Agrupamento de Empresas Consumidoras de Combustíveis de Portugal e, em Março de 2006, conseguiram celebrar um primeiro acordo com uma petrolífera, no caso, a BP, a única que na altura se disponibilizou para lhes fazer descontos, como diz o director executivo do grupo, Eduardo Pegado, consultor de empresas. Nos combustíveis, passaram a beneficiar de uma redução no preço dos gasóleos e das gasolinas, logo à cabeça, de 6 cêntimos por litro em qualquer posto da rede da petrolífera. Na altura, os agrupados representavam um potencial de consumo de combustíveis de 20 milhões de litros, muito concentrado na região algarvia. Número que atraiu a BP.
Mais de um ano após a sua constituição, o AECCP já conta com 260 agrupados, 70% deles ainda do Algarve, mas os restantes de várias regiões do País, representando um volume potencial de compras de 38 milhões de litros. Embora tudo isto seja apenas um potencial, Eduardo Pegado garante que já estão a ser abordadas por outras petrolíferas para fazerem acordos com descontos superiores aos da BP. Quando todas as empresas assinarem os seus contratos individuais com a petrolífera, será conseguida uma poupança global de 1,8 milhões de euros.
Além dos combustíveis, as empresas que integram o AECCP já podem ter acesso hoje a descontos significativos nos telefones, fixos e móveis, seguros, assistência auto e, no futuro, poderão vir a tê-los também nos pneus.
Nos telefones, tal como o DN confirmou junto da responsável da Netring, Vanda Veríssimo, empresa que tem o acordo com o AECCP para as telecomunicações, um cliente com 11 utilizadores consegue poupanças mensais da ordem dos 200 euros. Se forem maiores, a redução de custos poderá ser muito superior. Tudo depende do tráfego e do número de utilizadores. A Visacar é um exemplo. Honório Teixeira diz que a sua empresa com sete utilizadores consegue uma poupança de 200 euros por mês desde que aderiu a este acordo.
Nos seguros, o protocolo com a mediadora do Algarve Cavaco e Metelo permite aos agrupados poupanças que podem chegar aos 15%.
Já na assistência auto, apenas uma oficina do Algarve assinou acordo com o AECC P. Os descontos rodam também os 15% em vários serviços de assistência às viaturas, mas obrigam os agrupados a deslocar-se àquele estabelecimento, o que leva muitos deles a não utilizar este benefício. Agora, Eduardo Pegado diz que estão também a negociar com a Goodyear, um dos gigantes do sector, o fornecimento de pneus a preços mais reduzidos para os agrupados.
Ao mesmo tempo que conseguem poupanças, as empresas que formam o agrupamento vão começando a trocar entre si informações e a descobrir negócios que podem fazer juntas. O aproveitamento de sinergias entre elas é , assim , uma outra vantagem que podem retirar do AECCP, disseram ao DN algumas das empresas.
Outro dos passos a dar no futuro é a abertura de postos de abastecimento de combustíveis próprios. O primeiro, que deverá abrir já no próximo ano, será no Algarve e o segundo na região de Palmela. |
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