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por
Pedro Lomba
jurista
pedro.lomba@eui.eu
D e vez em quando vou recebendo mails de amigos a convidarem-me para fazer parte de redes sociais na Internet. Aceito quase sempre, mas depois não pratico. Redes como o Hi5, o Myspace, o Buzznet, o Hoverspot, o Facebook. São tantos os sites vocacionados para a criação de comunidades virtuais que é fácil perdermo-nos. E todos imensamente populares: em Agosto, segundo um estudo Marktest, o Hi5 contabilizou quase 3,4 mil milhões de páginas em Portugal, superando qualquer outro site, incluindo o Google. Os peritos afiançam que estes sites dão bons negócios. Ontem soube-se que a Microsoft quer comprar 5% do Facebook.
Percebo o sucesso destas redes. Milhões de adolescentes e pós-adolescentes sabem que não há assim muita coisa a que pertencer. As formas de pertença tradicionais (à família, à escola, à igreja) exigiam uma disciplina e uma ortodoxia que a espontaneidade subversiva da época corrompe. Rapazes e raparigas em idade núbil já se satisfazem com pouco e rejeitam fidelidades. Nada de grupos para ficarem sujeitos a testes e deveres. Em vez disso, as redes sociais oferecem um produto mais apetecível: fazer parte de um mundo informal cujo único mandamento é conhecer gente. How people meet people?, perguntava, acho eu, Lou Reed. No Hi5.
Antes, as pessoas tinham os amigos de infância, da universidade, do trabalho. Eram categorias que espelhavam as nossas amizades em diferentes fases da vida. Agora, as novas gerações têm os "amigos" do Hi5. Sem esforço, um bem sucedido utilizador do Hi5 pode acumular 650 pessoas a que passa a chamar seus amigos.
Na sua Ética a Nicomáco, Aristóteles distinguiu três tipos de amizade, conforme a ideia em que cada uma se fundasse. Existiria uma amizade baseada no prazer, outra na utilidade e outra na virtude, para Aristóteles a amizade mais genuína e duradoura, aquela em que os amigos se uniriam para atingir o bem e a sabedoria. A visão elevada que Aristóteles tinha da amizade não desapareceu. Mesmo se nos fomos tornando cínicos, temos esperança de que a amizade possa ser uma espécie de amor moral. Não um amor por dever ou respeito, como o que se tem pelos pais ou pelos filhos, mas um amor que se forma na simples admiração por outra pessoa. Um amor realista e altruísta. Um amor que não depende de nenhuma idealização, de nenhum desejo. Um amor que nasce de uma espécie de consciência. É a nossa maior e mais promissora ambição para a amizade. As redes sociais como o Hi5 prescindem da amizade como uma experiência de dedicação admirativa em favor da obsessão doentia por conhecer e acumular pessoas. É óbvio que alguém que junta 500 "amigos" não acredita na amizade. Encheu a agenda, mostrou a sua agilidade e ficou na mesma. E a amizade só pode ser para levar a sério, senão não vale a pena. |
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