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Pinto considera "um erro" dois aeroportos em Lisboa

por

LEONOR MATIAS

RUI COUTINHO-ARQUIVO DN (imagem)  

A coexistência de dois aeroportos na região da Grande Lisboa seria "o maior erro" que o Governo poderia cometer, disse, ontem, Fernando Pinto. O presidente executivo da TAP considera que a Portela deve encerrar quando o futuro aeroporto entrar em funcionamento. E nem sequer equaciona a solução Portela+1 (em que a operação do actual aeroporto seria complementada por uma estrutura, nomeadamente para as low cost), que diz não "ser merecedora de atenção".

Num encontro promovido pela Associação Comercial de Lisboa, subordinado ao tema do novo aeroporto de Lisboa, Fernando Pinto "desapontou" a assistência quando anunciou que não iria pronunciar-se sobre a localização - Ota ou Alcochete -, porque "não compete às companhias aéreas escolherem os locais dos aeroportos". Mas lembrou que a futura infra-estrutura deve dispor de boas acessibilidades, por via rodoviária e ferroviária.

Sobre a Ota e Alcochete, adiantou que não "conhece" as localizações e que o Governo não lhe pediu para se pronunciar sobre o assunto. Contudo, repetiu várias vezes, que não apoia a manutenção da Portela depois de o novo aeroporto entrar em operação, porque "não posso deixar que um passageiro chegue ao aeroporto e tenha de atravessar toda a cidade para apanhar um voo de ligação noutro aeroporto". Fernando Pinto não acredita na viabilidade de dois aeroportos em simultâneo e deu exemplos de experiências de coexistência que acabaram por falhar, citando os casos dos aeroportos de Malpensa, em Milão, Itália; o de Durval, em Montreal, Canadá; e os de São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte, no Brasil, e que acabaram por afectar o desempenho das companhias aéreas de bandeira, apontando os exemplos da Alitalia e Varig, tendo esta última acabado por falir.

Sobre a solução Portela+1, o presidente da TAP considera que "não faz qualquer sentido" criar uma pequena estrutura na área da Grande Lisboa, preferencialmente para os voos das companhias low cost. No final, referiu o aeroporto de Beja, como uma alternativa.

Portela é um "caos"

A operação na Portela, diz Fernando Pinto, é "um caos" e a questão central "é como sobreviver até à entrada em funcionamento do futuro aeroporto". Sobre as datas adiantadas pelo Governo - 2017 ou 2018 -, o responsável da companhia aérea diz que "é complicado" operar até lá. E adverte: "A localização deve ficar definida no final do ano".

O "caos" a que Fernando Pinto se refere não se prende somente com os atrasos nas bagagens e os tempos de espera, mas à falta de estacionamento para as aeronaves. Situação que irá agravar-se com a chegada do quarto A-330, que vai ter de ficar "estacionado na pista destinada ao táxi way" (caminho de espera para os aviões entrarem na pista principal). O "caos" vai piorar quando a TAP começar a receber os novos A-300, adquiridos à Airbus, a partir de Novembro, que vão substituir os A-310 e que são maiores. As asas dos aparelhos, explica, vão prejudicar as manobras dos outros aviões.|


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