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FRANCISCO MANGAS
DIREITOS RESERVADOS (imagem)
A segunda invasão francesa no Porto, em Março de 1809, deixou marcas profundas. O general Soult, vencida a resistência local, entra na cidade: a população, em pânico, procura refúgio na outra margem do rio, em Gaia. Mas a Ponte das Barcas, que liga as duas cidades, não suporta tanto peso, tamanho pavor. Rebenta. Mais de quatro mil pessoas morrem. Dois séculos depois, a tragédia será assinalada com um livro, dois monumentos, uma exposição e espectáculos de música e teatro.
O bicentenário da segunda invasão das tropas de Napoleão à cidade do Porto é em 2009. A comissão que prepara a evocação e o respectivo programa (liderada pelo ex-ministro Valente de Oliveira) foi apresentada ontem por Rui Rio, presidente da Câmara do Porto. O autarca promete uma cerimónia que "deixará um legado para o futuro".
E para o futuro ficará, por certo, a obra, em dois volumes, coordenada por Oliveira Ramos, O Porto e as Invasões Francesas, que reúne trabalhos de historiadores portugueses, ingleses, franceses e espanhóis. Nas duas margens do Douro, no antigo local da Ponte da Barcas, vão surgir dois monumentos, da autoria do arquitecto Eduardo Souto Moura, que assinalam simbolicamente a tragédia de há dois séculos.
Com a a colaboração da Universidade do Porto, Museu de História Militar, Gabinete de História da Cidade, Casa da Música e Coliseu do Porto, Valente de Oliveira promete, ainda, para Março de 2009, uma recriação histórica dos acontecimentos e uma exposição sobre as invasões, especialmente sobre a segunda, que permanece ainda no imaginário de muitos portuenses, mas carece de ser explicada.
A iniciativa, refere Rui Rio, além de assinalar a efeméride, tem como objectivo informar o cidadão comum do que foi, por exemplo, o desastre da Ponte das Barcas. "A (liderada pelo ex-ministro Valente de Oliveira) maioria dos portuenses sabe que os franceses estiveram aqui, mas não ligam essa presença à tragédia das barcas."
Como se trata de uma memória que envolve a morte de cerca de quatro mil pessoas, as cerimónias, assegura Valente de Oliveira, serão "solenes e contidas". Nesta linha, está marcada uma missa de requiem, onde será cantado Requiem de Camões de Domingos Bomtempo, na Sé. Para o Coliseu está também programado um concerto, com o Requiem da Guerra, de Benjamin Britten.
Outro concerto, tendo como base obras compostas durante o período das Invasões Francesas, está agendado para a Casa da Música. O Teatro Rivoli, por seu turno, produzirá um espectáculo musical que terá como pano de fundo, precisamente, a segunda invasão das tropas de Napoleão, comandada por Soult.|
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