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por
Vasco Graça Moura
escritor
Sá Carneiro, Cavaco Silva, Marcelo Rebelo de Sousa, Durão Barroso... Todos eles sabiam o que queriam para o País e para o partido. Todos eles se caracterizaram pela firmeza das suas posições. Todos eles souberam medir os riscos de uma liderança forte e corrê-los sem subterfúgios.
Os estilos eram muito diferentes. Sá Carneiro sabia jogar paradas muito altas, do tipo tudo ou nada; Cavaco Silva aliava um profundo conhecimento das leis da Economia e das Finanças a uma grande intuição política e a um método rigoroso; Marcelo dispunha de uma imaginação fulgurante e de uma capacidade inesgotável de surpreender o adversário; descontado o quadro de ambiguidades em que se processou a sua saída, Durão Barroso mostrou uma especial aptidão para a gestão política inteligente dos timings e dos dossiers.
Marques Mendes inspira-se na firmeza de Sá Carneiro, no saber de experiências feito e no rigor de Cavaco Silva, na versatilidade de Marcelo e na destreza política de Durão Barroso. Sem copiar nenhum deles, e interpretando também, a seu modo, o legado de Mota Pinto, estrutura a sua coerência e a sua persistência próprias à luz desses paradigmas que se tornaram património político e histórico do PSD, acrescentando a essa matriz o seu contributo pessoal: respeito do interesse nacional, fidelidade programática, ligação às bases, abertura institucional, independência de espírito, verticalidade, coragem política, energia, minúcia nos detalhes, solidez, segurança e viabilidade nos posicionamentos e nas propostas.
Há quem diga que lhe falta carisma. Mas, quando Cavaco Silva foi para o Governo dizia-se a mesmíssima coisa. E até lhe criticavam as camisas, à falta de argumentos mais substanciais...
No debate da semana passada na SIC Notícias, Marques Mendes não precisou de rodeios nem de evasivas. Assumiu sem crispações e com uma notável precisão os objectivos estratégicos que prossegue, as decisões que toma, o sentido que lhes imprime, o calendário em que funciona e as responsabilidades que para ele decorrem de tudo isso. E foi de uma evidência incontestável o sentido de Estado da postura que adoptou e que parece ter incomodado alguma gente.
Em dois anos, teve de reconstruir um partido que estava de rastos. Não se baldou a uma tarefa que tem requerido um esforço enorme e não está ainda concluída. Mas o balanço é muito positivo e só ele tem hoje trabalho bem feito, autoridade moral e política e condições para a levar a bom termo.
Teve de aguentar tensões, incompreensões e manobras internas ínvias. Algumas continuarão a manifestar-se, mas, ganhando, a sua linha sairá consideravelmente reforçada e tanto a coesão como a agressividade do partido, essenciais para a sua eficácia na oposição, aumentarão exponencialmente.
Teve de fazer oposição crítica e construtiva a um governo de maioria absoluta. Recusou posturas caudilhistas e, por muito que isso pese a Sócrates, a agenda tem sido marcada por ele em questões tão fulcrais como as dos impostos, das Scut, da Ota, do desemprego, da segurança, da justiça, da educação, da saúde, da redução do papel do Estado, etc., etc...
Sempre que enunciou a sua linha política, previu os erros em que o Governo ia cair. Quando eles ocorreram de facto, insistiu na razão que tinha. E agora Sócrates, que não respeita o Parlamento e, ali interpelado por Marques Mendes, se recusa a responder à questão crucial dos atrasos na aplicação dos fundos comunitários, tem a lata de dizer que ele vai a reboque...
Quem tem ido a reboque é Sócrates, que se esmifra em rábulas insolentes, evasivas baratas e desculpas de mau pagador, impróprias de um primeiro-ministro.
Nestes dois anos, Marques Mendes não abdicou de nenhum dos princípios fundacionais do PSD. Não abdicou de nenhum dos pontos que defende. Não esmoreceu e não desistiu de levar a sua avante.
O PSD voltou a ser um partido com credibilidade institucional e política. O descrédito do Governo e do PS tornou-se óbvio. O eleitorado já começou a compreender que Marques Mendes tinha razão e porquê. E vai haver mais ranger de dentes socialistas com a moção de estratégia que ele acaba de apresentar. |
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