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ILÍDIA PINTO, em Milão
Preços vão dos 200 aos 300 euros
Sapatos de luxo salvam indústria portuguesa
São cada vez mais os exemplos de empresas de calçado que encontraram o caminho certo para combater a crescente invasão do mercado europeu com produtos asiáticos. Apostar no calçado de segmento médio-alto ou mesmo alto onde a crise é menos sentida. O calçado da China chegou a Portugal, no primeiro semestre, com preço médio de 2,22 euros, quando o calçado exportado por Portugal teve um valor médio de 16,2 euros. Mas são as empresas cujo calçado é vendido a 200 e 300 euros que têm o maior sucesso.
Dir-se-ia que de tão repetidos à exaustão os apelos para que os empresários reagissem e investissem em design, moda, em factores intangíveis de competitividade, em diferenciação, sem serviço, a mensagem foi finalmente interiorizada e os empresários que diariamente competem nos mercados internacionais fazem-no com marcas próprias e produtos de segmentos médio-alto e mesmo de luxo.
Aos exemplos restritos dos criadores de moda como Miguel Vieira ou Paulo Brandão de há uns anos atrás, e de algumas marcas mais habituais como a Fly London, a Eject ou a Aerosoles, começam agora a juntar-se uma nova geração de empresários ou de designers com uma visão nova do negócio e que perceberam que a solução passa pela apresentação de artigos criativos, diferentes, únicos, que conquistem o consumidor.
No encerramento de mais uma edição da Micam, a maior feira internacional do sector que, durante quatro dias juntou, em Milão, mais de 1600 expositores, entre os quais 85 portugueses, o DN quis ouvir algumas das experiências mais curiosas e mais bem sucedidas neste segmento.
Para José Machado, da Macosmi, a solução para fazer face à concorrência asiática tem de passar pelo diferenciação, pela criatividade. "Tem de ser um artigo que não possa ser copiado por chineses nem brasileiros, senão a indústria está perdida. Implica um investimento em desenvolvimento, mas o retorno compensa", diz.
Luís Carlos, da Di Stilo, concorda. "As pessoas queixam-se que a situação está má mas é preciso investir e o caminho tem de ser o segmento médio-alto na Europa. É mais difícil de entrar mas a fidelização é maior".
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