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"O arrebanhamento continua no PSD"

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PEDRO CORREIA  

Na Figueira, de madrugada, só um pagou por 200

Quatro sociais-democratas terão pago largas centenas de quotas de militantes do PSD nos últimos dias. Estas irregularidades foram comunicadas pelo secretário-geral do partido, Miguel Macedo, ao Conselho de Jurisdição (CJ), que hoje reúne para analisar o problema. A reunião começou na sexta-feira mas foi inconclusiva: só esta tarde deverá haver uma deliberação. Mas a principal questão é a dos Açores, onde apenas 36 dos 8218 militantes têm as quotas em dia. Apesar disso, o PSD-Açores reclama direito generalizado de voto para a escolha directa do presidente nacional do partido, que decorre na próxima sexta-feira. Os dois candidatos são o actual líder, Marques Mendes, e Luís Filipe Menezes.

"É um problema jurídico e político complexíssimo", reconhece ao DN Guilherme Silva, presidente do CJ, pronunciando-se sobre a questão açoriana. Sob o fogo cruzado da candidatura de Menezes, que rejeita em absoluto a concessão de voto aos militantes insulares sem quotas em dia, e do estado-maior de Mendes, que acusa apoiantes do rival de pagarem quotas indevidamente.

Miguel Macedo transmitiu ao CJ a existência de irregularidades em locais tão diferentes como a Figueira da Foz, Amadora, Linda-a-Velha e Famalicão. Na Figueira, por exemplo, alguém pagou mais de 200 quotas de militantes, no mesmo terminal de multibanco, por volta das duas da madrugada - tudo num intervalo de poucos minutos. O secretário-geral do partido recusa aceitar a regularização destas quotas, alegadamente feito por apoiantes de Menezes.

"O arrebanhamento continua", desabafa Guilherme Silva, acrescentando: "Só lamento não ter provas materiais".

Nos Açores, manda a tradição do partido que se feche os olhos à norma nacional - que exclui do direito de voto os militantes sem quotas actualizadas - em nome da autonomia regional. Foi assim há dois anos, quando Mendes se viu confirmado pela escolha directa dos militantes.

Mas agora pode não ser assim. "A situação nos Açores preocupa-nos imenso. Não deve haver capacidade eleitoral sem pagamento de quotas", disse Ribau Esteves ao DN. O estado-maior da candidatura de Menezes estava reunido em Lisboa, ao princípio da noite de ontem, para analisar a situação. Compreende-se: os "barões" açorianos - incluindo o dirigente histórico do partido na região, Mota Amaral, e o actual líder, Costa Neves - estão maioritariamente com Marques Mendes. O porta-voz da candidatura de Mendes, Campos Ferreira, por sua vez, assegura ao DN que "será naturalmente aceite" o veredicto do Conselho de Jurisdição (CJ).

Na recta final da campanha para a eleição directa do presidente do PSD, contabilizam-se cerca de 60 mil militantes com direito a voto no continente e pouco mais de dois mil na Madeira. Os resultados, cada vez mais imprevisíveis, poderão estar dependentes do desfecho jurídico da questão açoriana.


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