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Sócrates coloca PS ao centro

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PEDRO CORREIA  

O PS é um partido de "centro-esquerda". A nova nomenclatura - a servir de mote antecipado às eleições de 2009 - foi ontem lançada por José Sócrates, acentuando ainda mais a distância que o separa da esquerda do partido. Numa longa intervenção no fórum Novas Fronteiras, em Lisboa, o primeiro-ministro fez uma avaliação muito positiva destes dois anos e meio de governação. Em sectores como a educação, a saúde, a segurança social e as finanças, o balanço não podia ser mais favorável. Os responsáveis destas pastas que se deslocaram à FIL apreciaram certamente o discurso.

"Não me lembro de dois anos em que tantas coisas tivessem mudado tanto para melhor, e tão profundamente, na educação em Portugal." Com frases como esta, Sócrates não deixava lugar a dúvidas: o Governo seguirá o caminho que tem vindo a ser trilhado, indiferente às críticas da oposição. "Prosseguiremos a nossa agenda de reformas e a nossa política de rigor", acentuou o chefe do Executivo, anunciando que este ano - tal como aconteceu em 2006 - não haverá orçamento rectificativo. Um facto inédito nas últimas três décadas, salientou Sócrates. A palavra "reforma" foi das mais pronunciadas nesta intervenção, seguida com atenção pela habitual plateia socialista, que esgotou a sala e não regateou aplausos à medida que escutava o rol das promessas que Sócrates garante ter cumprido. Reforma da segurança social, reforma da administração pública, reforma da formação profissional, reforma do aumento do salário mínimo, reforma nos sistemas de prestação social.

"Fechámos 2400 escolas com menos de dez alunos, o que era um escândalo e uma vergonha para o nosso sistema de ensino, e levava ao abandono, exclusão e insucesso dessas crianças. Criámos este ano 70 novas unidades de saúde familiar: cem mil pessoas passaram a dispor de médico de família", afirmou.

Os aplausos redobraram quando Sócrates introduziu uma rara nota pessoal no seu discurso: "Bem sei que dizem que sou teimoso. Mas se não fosse teimoso, não haveria reformas, nem mudanças, nem progresso." Ainda este mês, "começam a ser distribuídos computadores a preços muito reduzidos". E o Governo confirma a abertura de 400 creches.

De Mário Soares a Ferro Rodrigues, o PS sempre se afirmou um partido de esquerda. Sócrates altera o léxico oficial, pondo os socialistas oficialmente na área do "centro-esquerda". Rigorosamente equidistantes da direita e da "esquerda imobilista". Por cada crítica ao PSD, o líder socialista preocupava-se em criticar simultaneamente o PCP e o Bloco de Esquerda. "Ao Estado não compete tratar da vida a ninguém mas ga- rantir mais oportunidades para a realização da vida", assegurou. Mencionando exemplos concretos: o programa "Novas Oportunidades" (destinado a "formar com o 12.º ano um milhão de activos") e o plano tecnológico para as escolas.

Em nome do "rigor" (outra palavra muito utilizada) não haverá "descidas imediatas de impostos", esclareceu Sócrates. Deixando implícito que isso poderá acontecer em 2009, ano eleitoral. Sobre os vetos presidenciais, que perturbaram o Verão socialista, nem uma palavra. |


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