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Polícia admite que o cadáver já não exista

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JOSÉ MANUEL OLIVEIRA  

A Polícia Judiciária já admite que o corpo de Madeleine McCann "poderá não existir", de forma a ocultar para sempre provas sobre o que aconteceu na noite fatídica de 3 de Maio, na Praia da Luz, perto de Lagos. Nesse cenário, uma das possibilidades mais credíveis passaria por o cadáver ter sido lançado num saco com pedras já em alto mar a partir de um iate, nomeadamente de um velejador inglês da Marina de Lagos, que, de resto, chegou a estar sob investigação das autoridades, na sequência de buscas a computadores apreendidos ao luso-britânico Robert Murat, como o DN referiu na altura em que a investigação apontava para o rapto de Maddie.

Tendo em conta que uma das linhas de investigação que passa, agora, por a criança ter sido morta dentro do apartamento do resort The Ocean Club, com o envolvimento dos pais, nomeadamente de Kate McCann, a não existência do cadáver até "pode significar que a morte não foi acidental", acrescentam fontes policiais.

Já a Procuradoria-Geral da República (PGR), em comunicado emitido quarta-feira, diz que "vai haver novas diligências para se saber que tipo de crime" foi praticado pelos pais de Madeleine, os quais, recorde-se, foram constituídos arguidos há uma semana, na sequência do desaparecimento da filha e após longos interrogatórios no Departamento de Investigação Criminal (DIC) de Portimão da PJ.

Por outro lado, segundo apurou o DN, vários investigadores continuam a "observar e analisar" discretamente terrenos a sul do The Ocean Club e, nomeadamente, junto à costa entre a Praia da Luz e Burgau, os quais deverão ser alvo, na próxima semana, de buscas com o apoio de cães pisteiros da Guarda Nacional Republicana. É que quando a PJ ali voltar terá de ter a noção exacta dos "locais específicos sob maior suspeita" que possam ser alvo de investigações detalhadas, como por exemplo escavações. Para já, os inspectores pretendem ver se determinados terrenos foram, designadamente, remexidos ou esburacados. Ao mesmo tempo, grutas e falésias desde a zona de Lagos deverão também ser passadas a pente fino.

Já o padre inglês da Igreja Anglicana, Haynes Hubbard, que conviveu com o casal McCann na Praia da Luz, considerou um "absurdo" as suspeitas que agora recaem sobre os pais de Madeleine, bem como em relação a eventuais buscas que apontam também para a área em redor da Igreja de Nossa Senhora da Luz. "A polícia tem é de se concentrar em encontrar a Maddie. Não sabemos se ela está morta. Aqui não encontram nada", observou o sacerdote inglês.

O padre católico José Manuel Pacheco admitiu ao DN ter tido "conversas informais" com investigadores da Judiciária, garantindo, porém, que nunca foi ouvido como testemunha neste processo. |


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