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por
João Miranda
investigador em biotecnologia
jmirandadn@gmail.com
A ministra da Educação reconheceu esta semana que há um desencontro entre a oferta e a procura de professores. Existem mais professores à procura de emprego do que aqueles que são necessários. Mas porque é que existe este desencontro entre a oferta e a procura? A resposta pode ser encontrada na ciência económica. As pessoas reagem a incentivos e agem com base na informação disponível. O desencontro entre a oferta e a procura resulta de informações erradas e incentivos que deturpam o funcionamento dos mercados.
Um estudante pré-universitário tem de escolher a área vocacional no final do 9.º ano de escolaridade. No final do 12.º ano tem de escolher um curso superior, o qual demora pelo menos quatro anos a concluir. Tendo em conta que muitos reprovam um ou dois anos, um estudante tem de escolher a sua área profissional cinco a dez anos antes de entrar no mercado de trabalho. Como o mercado de trabalho não é estático, os estudantes precisam de informação para prever a sua evolução. E têm forçosamente de usar a informação disponível no presente para prever o estado do mercado de trabalho no futuro.
Na maior parte das profissões, o melhor indicador do estado do mercado de trabalho no futuro é o valor dos salários actuais. Os salários diminuem com o aumento da oferta de profissionais. Por exemplo, se o rendimento do advogado médio é baixo, então é porque existem demasiados advogados no mercado, sendo provável que continuem a existir daqui a alguns anos. O Ministério da Educação não utiliza a oferta disponível no mercado para determinar os salários dos professores. Os salários resultam da pressão dos sindicatos e da disponibilidade orçamental. Não variam de acordo com a oferta de professores. Um estudante pré-universitário que utilize o salário dos professores como indicador do estado do mercado de trabalho acabará por fazer um juízo errado. Foi o que aconteceu aos actuais professores desempregados. Quando optaram por um curso superior relacionado com o ensino, a profissão de professor era bem paga, segura e prestigiada. O excesso de professores que já então existia estava camuflado por salários fictícios definidos politicamente. O erro de julgamento induzido pelos salários fictícios foi agravado por erros induzidos pelo financiamento público do ensino superior. Como o ensino superior é subsidiado, tanto os estudantes como as universidades tendem a ignorar sinais de alarme enviados pelo mercado. Os estudantes ignoram os sinais de alarme porque não estão a arriscar o seu próprio dinheiro. Se os estudantes tivessem de pagar o preço real da sua formação, fariam escolhas mais cuidadas. As universidades ignoram os sinais de alarme, porque o Estado subsidia-lhes os cursos, mesmo que elas enviem todos os anos centenas de finalistas para o desemprego.|
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