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Spa para cães estreia-se no treino para farejar cadáveres

por

CECÍLIA MALHEIRO*

LUÍS FORRA-LUSA (imagem)  

O dogspa é um misto de hotel e campo de férias para cães de todas as raças e idades. Localizado em Pechão, no Algarve, esta espécie de empreendimento turístico canino oferece sofisticados serviços de banho, tosquia, treinos de obediência, maternidade, recuperação muscular e até táxi para levar o animal de estimação ao veterinário. Propõe-se também suprir uma carência registada em Portugal - que ficou exposta com o caso Maddie -, treinando cães para farejar o odor de cadáveres, capazes de auxiliar o trabalho de investigação das autoridades policiais.

A puxar para o pequenote, Joe é um cão de caça castanho e mancha branca no peito, com cinco meses de idade, óptimo olfacto e nova coqueluche do dogspa. "O Joe tem um bom nariz. É a nossa caixa de surpresas", sublinha Sandra da Silva, 34 anos, a proprietária do peculiar empreendimento turístico.

Joe está "a tirar" a especialidade de detecção de odor a cadáver, uma "profissão" difícil de conquistar no mundo. Em Portugal nem sequer existe um exemplar canino "formado" nessa área, segundo informações da Polícia Judiciária.

"A ideia de treinar cães para detectar odor de cadáver surgiu mesmo com o mediatismo do caso Madeleine", a menina britânica que desapareceu há mais de três meses da Praia da Luz, admitiu à agência Lusa a proprietária do dogspa.

"No início, o objectivo era treinar um cão para defesa pessoal, com uma boa base de obediência, mas quando se começou a noticiar que não existiam cães em Portugal para detectar odor de cadáver trasladado, resolvemos tentar treinar um cão com essa especialidade", esclareceu a mentora da ideia.

A possibilidade de treinar Joe na especialidade de detecção de cadáveres arrancou mais depressa porque um dos monitores de instrução canina do Dogspa, Manuel Ramirez, estava, na altura do desaparecimento de Madeleine, a fazer formação na Carolina do Norte, EUA, no âmbito de detecção de droga, bombas e cadáveres.

A confirmarem-se os dotes do olfacto de Joe para detecção de odor de cadáveres, mesmo que o corpo não esteja já no local, este cachorro pode tornar-se no primeiro caso do dogspa com tais capacidades.

Mas isso só será possível dentro de um ano e meio. A proprietária do dogspa explica que, de momento, os treinos com o cachorrinho ainda são muito lúdicos.

"Agora estamos apenas a utilizar o objecto (semelhante a um tubo de ensaio) que vai transportar os cheiros a cadáver feitos com químicos", conta Sandra, engenheira do Ambiente, mas com uma indisfarçável paixão por animais.

Depois de muitos treinos com o tubo, associados a uma brincadeira agradável é que se inserem os cheiros, mas sempre a brincar, sublinhaa gerente do espaço.

Para já, Joe não passa de um aluno rebelde que, por vezes, tem de ir para o castigo, mas no futuro pode tornar-se numa brilhante ajuda policial. Será sempre, no entanto, uma "caixa de surpresas", afiança Sandra Silva.| *LUSA com Carla Aguiar


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