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EDITORIAL
No grupo que invadiu uma propriedade privada e destruiu um campo de milho transgénico, a maioria era estrangeira. Pouco importa. A plantação é legal e os infractores nem sequer podem alegar a ineficácia das instituições democráticas, porque simplesmente as ignoraram. Preferiam gozar (as imagens televisivas são esclarecedoras), a denunciar. Preferiram destruir a processar.
O que fizeram é crime e deve ser punido como tal.
Depois da intervenção frouxa da GNR no terreno, e a bem da prevenção (os infractores já admitiram reincidir), a responsabilidade dos tribunais é ainda maior. As plantações como a de Silves estão previstas, e autorizadas, nas leis portuguesa e europeias.
Miguel Portas discorda e até manifesta "simpatia com o gesto". Está no seu direito. Estranho é que um eurodeputado reaja como se não soubesse que a Organização Mundial da Saúde, ainda no ano passado, considerou ilegal a restrição que a UE tentou impor às importações de transgénicos. Mais estranho é que alguém que tem o seu salário pago por instituições democráticas as reduza à insignificância: "Até hoje o debate sobre os transgénicos em Portugal não tinha passado do Parlamento (...). A partir de hoje pode começar a ser diferente."
Indefensável é elogiar o ataque e escrever que ele foi feito "nos limites da lei". Ou seja, para Miguel Portas, invadir propriedade privada e destruir património alheio não é crime. No máximo, como diz ao DN, é um ilícito.
Será que Miguel Portas está a convidar ladrões e "ocupas" para lá irem a casa?
Gilberto Gil nunca foi o ministro mais eficiente dos governos do Presidente Lula, nem sequer o mais popular. O que não significa, no entanto, que o ministro da Cultura do Brasil não disponha de boa imprensa.
Só assim se explica que este precursor do tropicalismo musical ainda continue em funções, apesar do caos que se instalou no seu sector, com os funcionários públicos em greve desde Abril, reivindicando melhores salários.
Sem que nada se tenha alterado.
O ministro já disse que está de acordo com as reivindicações, sugerindo aos seus funcionários que falassem com o ministro do Planeamento.
Mas, entretanto, foi de férias para o estrangeiro.
No regresso, repetiu as declarações e dedicou-se à apresentação pública do seu novo show: Banda Larga. O caos, esse, mantém-se.
O mais estranho é que Gilberto Gil seja, neste momento, um dos ministros mais antigos de Lula. Os outros ou mudaram de pasta ou saíram.|
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