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ANA TOMÁS RIBEIRO
PEDRO SARAIVA (FOTO)
Entrevista com Luís Ramiro Diaz López, administrador da Union Fenosa para a Galiza e Portugal
A entrada em funcionamento em Portugal, a 1 de Julho deste ano, do mercado de spot, em que empresas espanholas e portuguesas podem comprar e vender energia diariamente, "veio colocar mais em evidência o problema das interconecções, ou da falta delas, entre a rede de transporte de energia espanhola e portuguesa". Um facto que faz com que "a electricidade produzida em Espanha custe mais cerca de 20 euros por MW/hora no mercado português do que no espanhol", diz, em entrevista ao DN Luis Ramiro Díaz Lópes, administrador da Union Fenosa. Apesar deste senão e de ter saído perdedora nas duas fases do concurso para a atribuição de uma nova potência eólica em Portugal, a eléctrica espanhola prepara-se para investir em várias frentes no mercado português.
Como é que a Union Fenosa pretende posicionar-se no mercado português de energia?
O mercado português tem de ser visto no contexto do mercado ibérico de electricidade (MIBEL). E se é verdade que nos últimos anos os governos de Portugal e Espanha fizeram um esforço para ultrapassar alguns dos obstáculos à criação de um mercado único regional, também é verdade que outros aspectos, muito importantes para que as empresas espanholas possam entrar no mercado vizinho, continuam por resolver. Definindo prioridades e simplificando. É o caso das interconecções, ou da falta delas, entre as redes de transportes de energia dos dois países.
Porque é que esse é prioritário?
Porque a 1 de Julho deste ano começou a funcionar em Portugal aquilo que designamos tecnicamente de mercado spot, ou seja, o mercado diário, onde se pode comprar e vender energia hora a hora - desde o ano passado que já funcionava o mercado a prazo, através de contratos bilaterais -, e isto colocou mais em evidência o problema. Porque para se vender energia diariamente é preciso que haja capacidade de transporte. Como não há, o preço sobe. Assim, a energia produzida em Espanha e exportada para Portugal, tanto em horas de pico como nas de baixo consumo, é mais cara cerca de 20 euros por megawatt do que se for vendida no mercado espanhol. Os dados falam por si. Se analisarmos os preços praticados entre 1 e 9 de Julho, verificamos que em horas de baixo consumo o megawatt/h de energia eléctrica produzido e vendido em Espanha custou 35,08 euros e o que foi vendido em Portugal custou 56,34 euros, ou seja, mais 57%.
Tudo isso se deve apenas às interconecções?
Sim, porque não há capacidade de transporte suficiente para escoar a energia de Espanha para Portugal. O lógico seria que fosse tudo ao mesmo preço.
As empresas responsáveis pelas redes de transporte dos dois países, REN e REE, já anunciaram projectos de reforço das interconecções para os próximos anos. Isso resolveria o problema?
Estão a ser estudadas duas interconecções importantes entre os dois países, uma a norte e outra a sul. Com estas duas ligações chegaríamos aos 3000 megawatts de capacidade de interconecção total. Isto resolveria o problema a médio prazo. Mas é preciso que se acelere a sua construção. Leva-se quatro anos a estudar e a resolver questões administrativas, quando uma linha pode ser construída em dois anos. Portugal precisa de energia e em Espanha a produção de electricidade é excedentária. Além disso, temos muita produção eólica, hídrica, de ciclos combinados e de carvão, ou seja, temos um mix de geração equilibrado que permite uma oferta sólida e a um bom preço, desde que não haja transporte.
Mas há outras razões que levam a que o preço da energia comercializada em Portugal seja mais caro...
Bom, não gosto de falar de vários problemas quando existe um em concreto que pode ser resolvido. É preciso reforçar as interconecções. Este também é um problema europeu. Espanha tem um défice de interconecções com França, que se está a tentar resolver agora, mas neste momento estamos a falar de Portugal.
A Union Fenosa já é a terceira maior comercializadora no mercado livre de electricidade português. Como vê a evolução deste mercado?
Portugal tem no mercado livre pouco mais de 11% da energia que consome. Uma percentagem assegurada, em grande parte, pelos clientes de média tensão, embora não sejam estes quem está em maior número. Não há praticamente grandes clientes. E estamos a falar de um mercado com 67 000 clientes de um universo de quatro milhões e meio de consumidores.
Se analisarmos estes números, podemos chegar à conclusão de que o mercado livre português tem uma dimensão muito pequena. Além disso, 94% dos clientes são da EDP e o resto são da Endesa e da Union Fenosa. Mas temos vindo a crescer.
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