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Judiciária chamou os Mc Cann para interrogatório

por

JOSÉ MANUEL OLIVEIRA  

Judiciária quer esclarecer versões contraditórias

A Polícia Judiciária (PJ), que dá como certa a morte de Madeleine McCann no apartamento da Praia da Luz onde passava férias com a família, voltou ontem à tarde a interrogar os pais da criança. A inquirição, apurou o DN, prolongou-se por cerca de uma hora no Departamento de Investigação Criminal de Portimão (DIC).

Segundo fonte ligada ao processo, o objectivo do interrogatório visou esclarecer "algumas discrepâncias no discurso" dos McCann quando a filha desapareceu, a 3 de Maio. Os investigadores voltaram, assim, à carga, para ouvir, de novo, o casal dizer como, com quem e onde passou as horas que antecederam o desaparecimento de Madeleine.

Esta reunião nada teve a ver com as regulares reuniões semanais dos McCann com a PJ no consulado britânico, em Portimão. Esses encontros decorrem normalmente à quinta-feira e neles participa o director nacional adjunto da PJ Guilhermino Encarnação. O objectivo é informar da evolução das investigações, que o casal não se cansa de elogiar nas suas declarações à imprensa.

Só que ontem a Judiciária quis esclarecer as dúvidas crescentes em torno do "contexto familiar e de proximidade" do casal McCann.

Gerry e Kate saíram às 17.20, pelas traseiras da garagem do edifício da PJ, na viatura que têm utilizado no Algarve e que foi alvo de perícias policiais na segunda e terça-feira.

Recorde-se que, na tarde do dia seguinte ao sucedido, a 4 de Maio, e depois de ter ouvido o casal McCann e testemunhas que se encontravam no aldeamento turístico, já a polícia comentava ser esta "uma história muito mal contada", duvidando da versão de rapto então apresentada pelos pais de Maddie, como o DN noticiou.

Quem também passou ontem à tarde pela DIC de Portimão da PJ foi o jornalista espanhol António Toscano, que trabalha para o El Mundo, a fim de entregar um dossier contendo informação sobre pedófilos. Toscano, que continua a afirmar que Maddie está viva, não foi recebido pela PJ, que recusou receber os documentos. O jornalista, cujos testemunhos a PJ tem desvalorizado - garante que um homem conhecido em Espanha por "El Francés", com ligações a redes internacionais de pedofilia, está envolvido no caso Madeleine, podendo ter actuado em colaboração com Jean Pierre Roffi, alegadamente envolvido no caso Casa Pia.

Sangue em Birmingham por razões de segurança

O sangue recolhido no apartamento de onde Maddie desapareceu foi enviado para Birmingham porque em Portugal não existem meios técnicos fiáveis para este tipo de exame, afirmou ao DN fonte ligada ao processo. As técnicas da polícia científica, de tão antiquadas, poderiam destruir a informação contida na amostra, disse.

As buscas no mar e ao longo da praia, que envolveram os cães da polícia britânica, foram ontem suspensas, sem qualquer justificação, apesar de se saber que os ingleses pediram a um especialista da Universidade do Algarve esclarecimentos sobre a dinâmica da orla costeira.

Entretanto, os McCann têm desde ontem um novo porta-voz, o terceiro desde que Madeleine desapareceu. Trata-se de David Hugs, que veio substituir Justine McGill, com quem o casal se terá desentendido.


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