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Judiciária sabe há um mês que Maddie foi morta

por

JOSÉ MANUEL OLIVEIRA  

Pais de Madeleine Mc Cann suspeitos de envolvimento

A Polícia Judiciária (PJ) sabe, há um mês, que Madeleine McCann foi morta na noite de 3 de Maio, no apartamento do resort do The Ocean Club, na Praia da Luz, tendo abandonado definitivamente a hipótese de rapto. Por outro lado, as suspeitas que sempre recaíram sobre os pais de Maddie desde o seu desaparecimento tomam agora mais força.

A revelação foi feita ontem ao DN por fonte ligada ao processo, que sublinhou o facto de a Judiciária e a polícia inglesa estarem desde o início atentas ao casal McCann, dando-lhes total liberdade de movimentos para melhor vigiar Gerry e Kate, tanto na sua permanência no Algarve como nas deslocações efectuadas a vários países, onde lançaram campanhas para encontrar Madeleine.

A certeza de que Maddie terá morrido, por homicídio ou negligência, é baseada em novo indício, e desencadeou as buscas efectuadas pela PJ na Praia da Luz, há cerca de duas semanas, motivando, logo a seguir, a deslocação de agentes da polícia britânica, que se encontram na Praia da Luz a apoiar as investigações da polícia portuguesa, acompanhados de cães pisteiros especialmente treinados para detectar cadáveres.

A PJ, que desde o início defende que é nesta zona que reside "a chave de todo o enigma", procedeu então à investigação de novos indícios e fez audições discretas a populares, cruzando informações, designadamente junto ao The Ocean Club, acabando por pedir apoio à polícia inglesa para voltar ao apartamento de onde Madeleine desapareceu.

Por outro lado, de acordo com informações entretanto recolhidas pelo DN, a mãe da menina britânica, Kate McCann, quando se apercebeu da ausência da filha, terá voltado ao restaurante onde jantava com o marido e vários amigos, a gritar: "They' ve taken her!" ("Eles levaram-na!"). Pouco depois, um turista que passava férias num apartamento junto ao da família McCann terá também escutado gritos da mãe de Madeleine, em jeito de autocrítica: "Falhámos!" Nas inquirições a que os pais da criança, familiares e amigos do casal foram sujeitos poucos dias depois no Departamento de Investigação Criminal de Portimão da PJ terão sido apresentadas versões contraditórias, o que contribuiu para avolumar dúvidas sobre a tese de rapto entretanto admitida pelos investigadores.

Os investigadores continuam a concentrar as suas atenções no "círculo familiar e de amigos" dos McCann, confirmou ao DN fonte policial. Segundo a mesma fonte, há amigos do casal que passaram férias na Praia da Luz que estão sob vigilância policial em Inglaterra e que vão ser chamados a Portugal para novas inquirições na PJ.

'Novo' suspeito

A PJ revelou ontem, entretanto, novo suspeito. De acordo com os dados revelados, trata-se de um homem na casa dos 40 anos, com cerca de 1,70/ 1,75 m de altura, de pele muito morena. Ao que o DN apurou, será mesmo de origem africana e nacionalidade inglesa. A descrição condiz com o primeiro retrato-robô que a PJ terá feito logo no início das investigações, elaborado segundo testemunhos de populares que afirmaram na altura ter visto um homem, na noite de 3 de Maio, que levava consigo uma criança aparentemente a dormir e que terá evitado cruzar-se com as pessoas que circulavam no local, perto do aldeamento onde a família passava férias.

A hipótese agora avançada é a de que será este mesmo homem que terá sido visto na companhia de Murat logo a seguir ao desaparecimento de Maddie, junto dos jornalistas e perto do apartamento.

Mas, segundo testemunhas, foi também visto antes do desaparecimento no resort, junto à família McCann. Logo a seguir ao desaparecimento de Madeleine, foi novamente visto e fotografado junto dos jornalistas. Ao que o DN apurou, o suspeito está a ser vigiado de perto pela PJ, que controla todos os seus movimentos, fazendo registos.

Murat quer indemnização

O advogado de Robert Murat admitiu ontem vir a pedir uma indemnização ao Estado português, sublinhando, contudo, estar neste momento mais empenhado em que o seu cliente deixe de ser arguido.

Francisco Pagarete disse que "o mais lógico é que o venha a fazer mas isso será decidido depois de conseguir que Robert Murat deixe de ser arguido" no caso de Maddie, desaparecida há mais de três meses.


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