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SARKOZY DEBAIXO DE FOGO

por

Sena Santos

jornalista  

Rompe-se o estado de graça e rebentam primeiras críticas ao estilo de Sarkozy. Barbara Spinelli no La Stampa: "A Sarkomania tornou-se um fenómeno e uma atracção europeia. Eleito pela direita, teve a astúcia transgressiva para, ao cooptar personalidades socialistas para o Governo ou para cargos internacionais, seduzir a esquerda. Gera um entusiasmo que reflecte o tempo ligeiro que vivemos. Sarkozy cultiva a ruptura, mas rompe com a tradição europeia de lealdade e dá sinais de arrogância."

Spinelli acusa Sarkozy de prometer avanços, por exemplo na União Europeia, que, de facto, escondem recuos: "Faz tirar do novo Tratado o princípio cardeal da livre concorrência e quer nova escapatória de Paris ao Pacto de Estabilidade. O conflito com o BCE revela o mesmo desejo de pôr a união económica e monetária ao serviço dos interesses da França, não os da Eurolândia." Mais queixas: "Sarkozy gaba-se de conseguir de Kadhafi a libertação das enfermeiras búlgaras, quando o mérito também é de outros europeus que negociaram o acordo" [La Repubblica]. O Frankfurter Allgemeine Zeitung vê em "alguns gestos" de Sarkozy "retórica sem cortesia".

Controvérsia do momento em França: a regulamentação do serviço mínimo, que obriga os grevistas a delarar-se 48 horas antes. "Ataque à liberdade!" [L' Humanité]; "Com as eleições resolvidas, Sarkozy instala o braço-de-ferro com os sindicatos para esta rentrée" [La Montagne]; "Promete diálogo social mas já decidiu tudo" [Libération]. Le Figaro posiciona- -se ao lado do Governo "que defende o serviço ao público".

Agora, Sarkozy abriu nova frente ao dizer, em Dakar, que os males de África não são culpa da colonização, mas dos africanos. "Veio com a atitude dos antigos missionários que pretendiam civilizar os nossos avós. Parece que certos europeus continuam a pensar - que heresia! - que os africanos vivem nas árvores" [Sud Quotidien]; "quis dar lições, como se matarem-se uns aos outros fosse exclusivo de africanos; esqueceu os massacres na Sérvia ou em Belfast?" [Walf Fadjri].


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