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por
MANUEL CARLOS FREIRE
AP (imagem)
O aumento da ajuda militar que os EUA se propõem dar a Israel e a seis países do golfo Pérsico, nos próximos dez anos, vai provocar mais um grande crescimento nas despesas militares mundiais, a exemplo do que já se registou na última década.
Essas despesas ultrapassaram em 2006 os 1,2 biliões de dólares - valor que corresponde a 2,5% do produto interno bruto (PIB) global. Os analistas coincidem: há um "orçamento militar inflacionado dos EUA" - quase 50% de todos os gastos militares - e um "considerável crescimento das despesas militares na Rússia, Índia e China", indica o relatório de 2007 do Centro Internacional para o Desenvolvimento de Bona (BICC).
Os números do referido pacote de ajuda americana para o Médio Oriente, a anunciar hoje, parecem confirmar os receios de vários institutos de pesquisa sobre a acelerada militarização global: 30 mil milhões de dólares para Israel (mais 43% do que nos últimos dez anos) e 20 mil milhões para a Arábia Saudita, Bahrein, Koweit, Omã, Qatar e Emirados Árabes Unidos (mais do dobro do admitido na Primavera).
Para o BICC, o Médio Oriente "parece registar a mais acelerada militarização do mundo" - mas os EUA, diz o New York Times, procuram evitar a percepção de se estar perante uma corrida aos armamentos numa região, onde o Irão é visto como grande ameaça.
O Instituto Internacional de Investigação para a Paz de Estocolmo (SIPRI) regista um aumento de 3,5% no investimento militar mundial entre 2005 e 2006, quando se atingiu o recorde de 1,204 biliões de dólares. Desde 2001, quando se iniciou a guerra antiterrorista devido aos ataques do 11 de Setembro contra os EUA, o salto percentual é de 25%. No conjunto da década iniciada em 1997, onde só em 1998 houve um decréscimo dos valores globais anuais, esse crescimento é de 37%.
Com uma guerra sem fim contra o terrorismo, substituto do comunismo como adversário do Ocidente e, em particular, dos EUA, estão esquecidas as perspectivas de paz criadas pela queda do Muro de Berlim (1989) e a implosão do império soviético. Entre 2005 e 2006, os conflitos onde houve violência (mesmo que esporádica) passaram de 91 para 111. A par da ameaça de um Irão nuclear, assiste-se ao ressurgir da Rússia, tanto no plano político como militar: Vladimir Putin acaba de anunciar a saída de Moscovo do Tratado de Armas Convencionais na Europa e a modernização das Forças Armadas russas.
Esta reacção ao poder militar dos EUA suscita nova atenção sobre os Bálticos, cuja defesa aérea é garantida no fim do ano por Portugal. Putin não digeriu a entrada da Estónia, Letónia e Lituânia na NATO e já deixou uma questão no ar: "Talvez eu tenha de nomear um comandante para essa região?"
Também a China está a investir no seu aparelho militar (cerca de 57% entre 2001 e 2006), criando calafrios em Washington. Um estudo recente da RAND é claro: "Se as Forças Armadas dos EUA não continuam a melhorar as suas capacidades tecnológicas, a China poderá desafiar os EUA pelo domínio militar do Leste da Ásia por volta de 2020." Recorde-se que Pequim era o grande alvo da Administração Bush nos primeiros meses do seu mandato.
A organização Cientistas para uma Responsabilidade Global (SGR) alerta para outro tipo de efeitos da actividade militar, em especial sobre os recursos naturais. Exemplos: ao nível do combustível - as Forças Armadas dos EUA consomem tanto como a Suécia - ou da produção de gases de estufa. Acabar com o poder das empresas de armamentos é essencial, sustenta a SGR. |
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