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Mãe heróica evitou tragédia

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AMADEU ARAÚJO, Viseu

DIREITOS RESERVADOS (imagem)  

A criança de 17 meses que, no sábado à tarde, caiu num poço em Sabugosa, no concelho de Tondela, e foi salva de morrer afogada pela mãe, encontra-se "a recuperar, sem sequelas e, se tudo correr bem, deve ter alta rapidamente", revelou ontem ao DN a pediatra de serviço no Hospital São Teotónio, em Viseu, onde o bebé está internado.

O feito corajoso da mãe ainda causa emoção na família, aliviada com o facto de o acidente não ter tido consequências mais graves. Na tarde de sábado, Lurdes Sousa de Figueiredo, 28 anos, estava a trabalhar na horta de casa, no bairro da Baguinha, em Sabugosa, na companhia do filho quando, inadvertidamente, a criança surgiu em cima do poço, que na altura do acidente tinha a clarabóia aberta e estava apenas protegido por uma rede, e caiu lá dentro.

A família escusou-se a falar em negligência ou desleixo, pelo facto de a criança, de tão curta idade, ter ficado sozinha junto ao poço e conseguido retirar a rede de protecção.

"A minha irmã ficou tão aflita, assim que deu conta de que a criança estava caída no poço atirou-se à água e ficou ali a segurar o menino com uma mão, enquanto se agarrava com a outra nas mangueiras, até que os bombeiros chegassem", adiantou Conceição Figueiredo, irmã de Lurdes. "O que a minha filha fez foi o que qualquer mãe faria", afirmou ao DN a avó da criança, ainda visivelmente emocionada e preferindo manter-se reservada em relação ao incidente que atingiu o neto.

O acidente aconteceu às 18.20 e obrigou à mobilização de 11 homens e três veículos dos bombeiros e uma equipa médica do INEM. Segundo contou ao DN Alberto Figueiredo, comandante dos bombeiros de Tondela que chefiou as operações de socorro, "o poço está protegido com tampa mas tem uma clarabóia para a água respirar que, na altura do acidente, estava tirada. Só tinha protecção de uma rede".

"Por brincadeira ou outro motivo, a criança foi tirar a rede do poço e caiu à água. Quando chegámos ao local, a mãe estava dentro de água com o filho nos braços", acrescentou Alberto Figueiredo.

O poço, com sete metros de profundidade e metro e meio de diâmetro, está protegido com argola e meia de altura acima do solo. A profundidade obrigou os bombeiros a fazer "descer um homem que primeiro retirou o filho e depois a mãe", refere o comandante dos bombeiros.

Alberto Figueiredo não tem dúvidas e afirma, de forma categórica, que "a mãe é que salvou" a criança. "Ela nem esperou para ser observada pelos médicos. Mal saiu do poço foi a correr para o hospital", contou.

Inicialmente, a criança foi assistida no Hospital de Tondela, de onde viria a ser transferida para o Hospital de S. Teotónio, em Viseu, para ser observada por um médico pediatra.

A criança, que passou o fim-de-semana internada no Hospital de Viseu, "foi também vista por um ortopedista e submetida a um raio X. Foi imobilizada com um colar cervical e posta em observação. Na manhã de ontem repetiu o exame radiológico e não apresentava sequelas", concluiu a pediatra do hospital de Viseu.|


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