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Ministério dispensa serviços de autores de provas com erros

por

PEDRO SOUSA TAVARES

GONÇALO FERNANDES SANTOS (imagem)  

Os autores dos exames nacionais em que o Ministério assumiu a existência de erros - Física e Química A (1.ª fase) e Biologia (2.ª fase) não voltarão a ser convidados a participar na elaboração de provas. A garantia foi dada ao DN pelo secretário de Estado da Educação, Valter Lemos, no dia em que foram anunciados os resultados da segunda fase de provas do secundário, pondo termo à época de avaliações.

"Com certeza [que quem cometeu esses erros] não será convidado, como é evidente", disse o secretário de Estado, a propósito da exigência de um apuramento de responsabilidades nas falhas deste ano, feita por partidos da oposição e associações de pais. "Não sei que mais se podia fazer", acrescentou. "Não podíamos cruxificar essas pessoas na praça pública, nem mandá-las prender".

Valter Lemos desvalorizou as falhas apontadas a outras provas, como a Filosofia, e também algumas alegações de maior facilidade nos enunciados deste ano, considerando estarem em causa "críticas vagas, que acontecem todos os anos", e não objecções legítimas. "Creio que podemos dizer, de um modo geral, que as associações científicas e de professores consideraram as provas deste ano melhores e ficaram satisfeitas com os resultados", sustentou.

Quanto à solução encontrada pela tutela para resolver os erros em Físico-Química e em Biologia - eliminação das questões em causa e multiplicação da restantes por um determinado coeficiente -, o governante considerou que a tutela adoptou "a atitude correcta, assumindo o erro e actuando".De resto, Valter Lemos comentou com ironia a providência cautelar interposta por um grupo de pais e alunos em relação à prova de Física e Química: "Parece que virou moda querer obter notas através de acções nos tribunais".

Ainda assim, admitiu que "o objectivo a perseguir no próximo ano deverá ser ter zero erros nos exames". Nesse sentido, considerou, as avaliações externas das provas, já anunciadas pela ministra, são o rumo certo a seguir: "Teremos auditorias externas às provas, feitas por especialistas da área e, naturalmente, vamos convidar as associações científicas e de professores a participarem.

"Sinais animadores"

Tal como aconteceu na primeira fase, os resultados da segunda época de exames, divulgados ontem, mostraram uma evolução em relação a 2006. Na Física Química A, a média progrediu de 6,8 para 9,2. Na Matemática, a subida foi de 7 valores, para 9,3. Já a Biologia e Geologia mantiveram a tendência de quebra, com 9 valores de média. Resultados mais fracos do que na primeira fase, mas que, ainda assim, levaram o secretário de Estado a encontrar "sinais animadores no balanço global das provas do secundário.

Quanto ao descalabro da Matemática no 9.º ano, com 73% de negativas, acompanhado por médias fracas na prova de aferição do 6.º ano, Valter Lemos recusou falar em fracasso do plano de acção para esta disciplina no básico: "É a maior aposta já feita a este nível, e é para manter e aumentar, agindo em função das fragilidades", disse. "É evidente que não ficámos satisfeitos, mas também houve alguns indícios favoráveis, por exemplo na prova do 4.º ano".|


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