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50 mil visitaram Trienal de Lisboa

por

PAULA LOBO

VASCO NEVES (imagem)  

A Expo não é zona associada à cultura, o Verão é sinónimo de praia e as férias escolares também não ajudaram. 100 mil visitantes era um objectivo ambicioso. As contas ainda estão em aberto, porque o festival só encerra no dia 31, mas as cerca de 50 mil entradas na primeira edição da Trienal de Arquitectura de Lisboa deixam o comissário-geral satisfeito.

"Mais interessado no significado da estatística" do que nos números, como afirmou ontem ao DN, o arquitecto José Mateus considera que "os verdadeiros efeitos da trienal são o estímulo e a mudança de mentalidades". Embora "sem distanciamento para perceber que marcas o evento deixará na sociedade", não duvida do "forte impacto na classe política".

"O Governo, depois de alguma hesitação inicial, acabou por compreender o projecto e apoiá-lo", recorda. Ou seja, além das parcerias com Ministério da Cultura e Turismo de Portugal, a trienal foi visitada pelo primeiro-ministro e vários membros do executivo. E António Costa, agora à frente da Câmara Municipal de Lisboa, foi um dos autarcas que se interessou pelos problemas e soluções.

O que correu bem e mal

Com um orçamento de 2,3 milhões de euros, subordinada ao tema "Vazios Urbanos" e centrada no Pavilhão de Portugal, Cordoaria e Museu da Electricidade, a primeira Trienal de Lisboa "correu muito bem", conclui José Mateus. Considerando também "surpreendente" a atenção dos media, nomeadamente os estrangeiros, como CNN, Euronews e TVE.

A par destes factores, o comissário-geral destaca "a capacidade de as instituições e os portugueses acreditarem num projecto desta complexidade em tão pouco tempo", uma vez que a organização só arrancou em Agosto de 2006.

A conferência internacional, que reuniu 900 pessoas, foi saudada pela qualidade das apresentações. Entre os pontos positivos, o comissário-geral refere a qualidade das exposições apresentadas; a parceria entre o Porto de Lisboa e 15 universidades para terrenos da zona ribeirinha (pelas "abordagens, muito bem estruturadas em termos científicos, e visões globais do território"); a parceria com a autarquia de Cascais ("um modelo a seguir"), a adesão dos curadores estrangeiros, o catálogo e o álbum e concerto de Mário Laginha sobre arquitectura e música.

José Mateus só lamenta que o concurso Intervenções na Cidade, que recebeu 146 propostas de cidadãos, tenha sido acordado com a CML e chumbado por António Prôa (que no anterior executivo foi vereador do Ambiente e Espaços Verdes), por "poluição visual ". O último outdoor só foi colocado há dois dias.

2010 , centenário da implantação da República, será também ano da próxima Trienal de Arquitectura. E há coisas a reformular. Segundo o comissário-geral, final de Setembro é melhor data para o projecto. É preciso dar mais espaço às universidades, aprofundar o contacto com a população juvenil, apostar nos serviços educativos e na divulgação. Mas, sobretudo, investir no carácter lúdico e interactivo das mostras, a pensar nos "públicos que não consigam lidar com as plantas, cortes e alçados".

Quanto ao futuro, José Mateus diz que "é fundamental haver entendimento entre a Trienal e [as bienais] ExperimentaDesign e LisboaPhoto. Há todas as vantagens em adoptar um modelo de eventos intercalados, como sucede na Bienal de Veneza".|


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