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Salários de topo são 11 vezes mais altos

por

MANUEL ESTEVES

PEDRO SARAIVA-ARQUIVO DN (imagem)  

Os trabalhadores mais bem remunerados recebem salários que são, em média, cerca de 11 vezes superiores aos dos menos bem pagos. Em mais de 30% das empresas, os melhores vencimentos multiplicam por 9 a 29 os mais baixos e em 10% esse diferencial chega a ser superior a 30, ou seja, 1500%. Porém, o leque salarial líquido (que resulta do rácio entre o vencimento-base líquido mais alto e o mais baixo) mais frequente situa-se entre três e oito - é o caso de um terço das empresas.

Dado que o salário mínimo (deduzido das contribuições sociais) permitido por lei é de 359 euros, isto significa que em 10% das empresas há pessoas a receber mais de 11 mil euros (líquidos) e que em 8% haverá vencimentos líquidos entre 7,5 mil euros e 10,4 mil euros.

Estes números constam do Balanço Social de 2005, um documento que é elaborado anualmente pelo Gabinete de Estratégia e Planeamento do Ministério do Trabalho. O Balanço Social reúne informação de todas as empresas com 100 ou mais trabalhadores, o que corresponde a um universo de 2155 companhias, empregando um total de 790 mil pessoas (o que corresponde a cerca de um quinto da população a trabalhar por conta de outrem).

O leque salarial é um indicador de desigualdade frequentemente utilizado. Porém, se a desigualdade pode ser vista como um sinal de injustiça e de má distribuição de riqueza, é também possível atribuir-lhe algumas virtudes, designadamente a de incentivar os trabalhadores, premiando os melhores e mais empenhados.

Comércio é o mais desigual

É no sector do comércio por grosso e retalho, bem como no ramo automóvel, que se regista o maior diferencial entre ordenados. Aí, 26% das empresas apresentam um leque salarial superior a 21, seguido pelo sector do alojamento e restauração e da actividade imobiliária, alugueres e prestação de serviços, onde aquela percentagem ronda os 25%. Nas indústrias extractivas, também se praticam salários muito diferenciados, com 22,2% das empresas a contratar pessoas com salários 22 vezes mais altos do que os dos mais mal pagos.

Pelo contrário, o sector da electricidade, gás e água surge como o mais igualitário em matéria salarial, indica o Balanço Social de 2005. Aí, 40% das empresas pagam salários que não vão além de cinco vezes o salário mínimo, ou seja, 1795 euros. Também os sectores da saúde/acção social e das actividades financeiras estão entre aqueles que praticam remunerações menos desiguais.|


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