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FILOMENA NAVES
Um barco feito de junco, idêntico às embarcações pré-históricas construídas há 11 mil anos, um projecto arrojado de travessia do Atlântico, e um objectivo: o de provar que nessa época era possível, com os meios então existentes, navegar das Américas para a Europa. Esta é a aventura que 11 pessoas de cinco nacionalidades iniciaram ontem, ao zarpar de Nova Iorque, rumo à Europa, com o destino a Cádis, no Sul de Espanha.
"Este barco é uma máquina do tempo que tem por objectivo demonstrar que os nossos antepassados não eram assim tão primitivos", declarou ontem, à partida, o arqueólogo e botânico Dominique Goerlitz, comandante da expedição, citado pela AFP.
O Abora III, como foi baptizado, tem 12 metros de comprimento, está equipado com um mastro e uma vela quadrada em linho, de 60 metros quadrados de superfície, e uma cabina, e foi construído por uma tribo indígena da Bolívia que vive junto ao lago Titicaca, na Bolívia.
Para a coisa ser mesmo à séria, o grupo decidiu tentar a travessia sem recurso a motor auxiliar, embora o barco esteja equipado com instrumentos modernos de navegação, como GPS e rádio.
É que a viagem não isenta de riscos, como admite o próprio comandante. "Claro que temos algumas inquietações", disse, sublinhando que a sua equipa "está a fazer algo de completamente novo". Mas, garantiu, "não tenho medo estou confiante".
Dominique Goerlitz, um estudioso de embarcações e navegações antigas, tem a teoria, contrária à que é hoje dominante, de que há 11 mil anos teria sido possível fazer viagens transatlânticas em ambos os sentidos apenas com os barcos e as tecnologias de construção então existentes. A travessia que ontem iniciou com os 10 companheiros - há entre eles especialistas em várias áreas, da carpintaria à própria navegação à vela - pretende, justamente, prová-lo.
Em 1970, o explorador norueguês Thor Heyerdahl, utilizando também um barco feito de canas, o RaII, conseguiu provar que a travessia do Atlântico, da Europa para a América, era possível e podia ter sido feita pelos homens pré-históricos. A viagem contrária, com os ventos e as correntes desfavoráveis, sobretudo entre os Açores e a costa europeia, é outra história. Mas talvez Goerlitz possa provar agora o contrário. |
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