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Júdice convidado pelo Governo para gerir frente ribeirinha

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JOÃO PEDRO HENRIQUES e FILIPE MORAIS  

José Miguel Júdice, mandatário da candidatura de António Costa (PS) à Câmara de Lisboa, tem em cima de mesa um convite de José Sócrates para coordenar a reabilitação da frente Tejo da cidade.

O convite foi feito há cerca de quatro meses, e o ex-bastonário da Ordem dos Advogados mostrou-se disponível para o aceitar. A nomeação só não avançou porque entretanto a Câmara de Lisboa - um dos parceiros neste projecto - foi dissolvida.

"É um desafio que eu gosto, sinto que é daquelas coisas em que posso dar o melhor de mim próprio", disse o advogado ao DN. José Miguel Júdice - um dos advogados mais poderosos do país dada a dimensão económica do seu escritório (A.M. Pereira, S. Leal, O. Martins, Júdice e Associados) - garantiu ainda que, em aceitando o cargo, o desempenhará de forma gratuita.

O projecto governamental equivale a uma nova Expo'98 na frente ocidental do Tejo. Incidirá sobre três zonas muito específicas: docapesca de Pedrouços (que já toca num pouco do concelho de Oeiras); zona de Belém; e reabilitação da frente ribeirinha do eixo Cais do Sodré-Santos. Envolverá como parceiros, inevitavelmente, a Câmara de Lisboa, a de Oeiras e ainda a Administração do Porto de Lisboa (APL). Este é o parceiro com quem há mais dificuldades em lidar visto a sua enorme autonomia de gestão em toda a frente ribeirinha.

Na orla Tejo da cidade só se faz o que a APL permite. Este grau de autonomia - contestado por todas as candidaturas às eleições intercalares do próximo domingo - só poderá ser alterado com intervenção legislativa do Governo. O modelo de gestão desta operação não está definido mas tudo aponta para que seja algo próximo do comissariado que organizou a Expo'98.

Implicará reduzir a autonomia da APL, sendo que a intervenção do Governo envolverá três ministérios: o do Ambiente (para o ordenamento do território), o da Economia (por causa do turismo) e as Obras Públicas (tutela a zona portuária).

Salgado debaixo de fogo

Ontem passaram 24 horas sobre o ultimato de 48 que, enquanto mandatário da candidatura do PS, Júdice deu a Marques Mendes para este se retractar por ter associado Manuel Salgado, número dois da lista de Costa, a "interesses da especulação imobiliária". "A seguir às eleições, provavelmente vêm os interesses da especulação imobiliária. Talvez isso explique os interesses da especulação imobiliária", disse Mendes, quinta-feira passada, numa acção de campanha de Negrão.

O PSD não se retractou nem especificou os "interesses da especulação imobiliária" a que Salgado estará ligado. Amaral Lopes, porta-voz de Fernando Negrão, preferiu antes - numa declaração sem direito a perguntas - atirar contra Costa e Salgado o livro Sob o signo da verdade, onde Manuel Maria Carrilho, além de justificar a sua clamorosa derrota de 2005, justificou porque não aceitou o arquitecto na lista. "O que mudou no PS?", perguntou Amaral Lopes. "Porque que é que o PS há dois anos achava que o arquitecto Manuel Salgado não podia ser candidato e agora, nas mesmas circunstância, já pode?"

Entretanto, quem saiu em defesa de Salgado foi Carmona Rodrigues - que aliás, como presidente da câmara, o empossou no comissariado de revitalização da Baixa -Chiado criada por Maria José Nogueira Pinto.

"Conheço o arquitecto Manuel Salgado há muito tempo e não me parece seja pessoa para, se tivesse algum conflito de interesses, correr o risco de alguma incompatibilidade", disse o candidato independente.

Carmona revelou-se ainda particularmente amigável com António Costa, que defendeu um jardim para a Portela. "Não é propriamente um interesse imobiliário." Manuel Salgado, recorde-se, já tinha dito que, sendo vereador do urbanismo, se iria libertar da propriedade do seu atelier. E garantiu que este não apresentará mais projectos para Lisboa.|


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