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Irmãos mais velhos são mais inteligentes

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CARLA AGUIAR  

Quando o irmão mais velho é mais inteligente do que o mais novo isso é uma mera característica individual ou corresponde a um padrão? Por muito desarmante que possa ser para os "benjamins", essa é a regra. A conclusão é de um estudo de epidemologistas noruegueses, a publicar esta semana na revista Science, que poderá esclarecer mais de um século de debate sobre a relação entre inteligência e a ordem de nascimento.

A investigação de Peter Kristensen, da Universidade de Oslo, apurou que os primogénitos têm, em média, um quoficiente de inteligência (QI) três pontos acima do dos segundos filhos, um desvio que aumenta mesmo para quatro pontos em relação aos terceiros filhos.

Os investigadores que se dedicam ao estudo destas matérias já tinham reunido evidências de que os primogénitos tendem a ser mais empenhados e responsáveis do que os seus irmãos mais novos - tanto ao início como ao longo da vida -, mas os estudos sobre o QI não foram conclusivos. Este novo estudo conclui que a diferenças na inteligência entre irmãos é um resultado das dinâmicas familiares e não de factores biológicos, como as mudanças na gestação, causadas pela repetição de gravidezes.

Existem várias teorias para explicar o efeito da ordem de nascimento na inteligência. Uma delas defende que os primogénitos beneficiam da atenção exclusiva dos seus pais durante mais tempo, o que enriqueceria o vocabulário e raciocínio. Mas isto não explica que nos irmãos com menos de 12 anos, os últimos filhos, apresentem, ao contrário, melhores indicadores. Alguns investigadores contrapõem que esta precocidade está relacionada com o abaixamento intelectual de toda a família em presença de uma criança mais pequena, ao passo que esta beneficia da maior maturidade dos pais e do irmão. Ultrapassada esta fase, os mais velhos, assumem o papel de tutores e tornam-se mais organizados no conhecimento, o que joga a seu favor. Mas os irmãos mais novos não ficam passivos. Desenvolvem a criatividade, procurando experiências arriscadas e inovadoras. Charles Darwin, Copérnico ou Descartes são exemplos de irmãos mais novos.

Especialistas citados pelo The New York Times consideram que os três pontos de diferença no QI podem fazer a diferença entre uma nota A ou B ou mesmo entre a admissão para uma escola de elite ou não. |


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