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ALFREDO TEIXEIRA E GRAÇA HENRIQUES*
O primeiro-ministro considera prematuro discorrer sobre o referendo em Portugal antes que o Tratado esteja concluído. Para José Sócrates uma possível discussão pública em torno do referendo ao futuro documento poderia colocar em perigo o "imprescindível" acordo entre todos os países da União Europeia (UE).
Na mesma linha, nos Estados Unidos, onde se encontra em visita, o Presidente da República recusou-se a falar sobre se deve haver ou não referendo, embora tenha deixado, mais uma vez, explícito o que pensa sobre o assunto: "A minha opinião é conhecida, mas não é para falar aqui". Recentemente, Cavaco Silva manifestou-se contra o referendo europeu e aconselhou os partidos a deixarem cair a ideia para facilitar o processo negocial.
Um apelo que foi acolhido por Sócrates. A estratégia do primeiro-ministro passará, nos próximos meses, por se recusar a dizer uma palavra sobre a consulta popular, justificando-se que, em primeiro lugar, é preciso chegar a consenso sobre o conteúdo do Tratado.
Depois, logo se vê. Mas Sócrates está de acordo com o Presidente da República e com os líderes da França e da Holanda, países onde o Tratado já tinha sido rejeitado em referendo, e que agora não arriscam avançar com uma nova consulta popular.
Ontem, tanto o Presidente da República como o primeiro-ministro pareciam falar sobre o referendo a uma só voz. Cavaco Silva disse que "não faz sentido falar nesse instrumento referendo enquanto não soubermos que tratado vamos ter", lembrando que "já muitos Estados disseram que, face ao que foi aprovado, não farão consulta popular". Vitalino Canas, porta-voz do partido que inscreveu o referendo como promessa governamental, modulou já certezas anteriores: "Existe um compromisso de realizar um referendo sobre o Tratado Constitucional, mas este não prosseguiu". "Vamos ver que tipo de tratado é este para poder decidir".
Dos Estados Unidos, onde recebeu um telefonema de Sócrates a dar conta do sucesso da missão europeia, Cavaco deu os parabéns ao Governo: "A equipa portuguesa fez um excelente trabalho e o resultado final foi aprovado a 27 e não a 26". |
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