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Televisões e rádios 'fogem' a reunir doze candidatos a Lisboa

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PAULA SÁ  

A SIC Notícias é a primeira estação de televisão a juntar esta noite sete dos doze candidatos à presidência da Câmara de Lisboa num debate, no Teatro São Luís. Segundo fonte do canal por cabo, a selecção foi feita com base em critérios jornalísticos, depois de cruzadas as sondagens sobre as intenções de voto no dia 15 de Julho. "Juntar 12 candidatos em estúdio era inviável do ponto de vista televisivo", sublinhou a mesma fonte. A selecção foi então feita: António Costa (PS), Fernando Negrão (PSD), Ruben de Carvalho (CDU), Telmo Correia (CDS/PP), José Sá Fernandes (BE) e os dois independentes Carmona e Roseta.

A estação "fugiu" do tradicional formato dos frente-a-frente, devido ao elevado número de candidatos. Mesmo que arriscasse a desafiar o quadro legal - que obriga os meios de comunicação social a darem tratamento igual a todos os candidatos durante a campanha eleitoral- e a ser multada pela Comissão Nacional de Eleições, só os sete candidatos escolhidos para o primeiro debate conduziriam a 21 debates daquela natureza. "Seria um absurdo do ponto de vista da grelha", garantiu a mesma fonte.

Mais longe vai José Fragoso, director da TSF ao considerar que a a conjugação da Lei Eleitoral e a fiscalização da Comissão Nacional de Eleições (CNE) "mata" a aplicação de critérios jornalísticos à cobertura de eleições e, em particular, a estas pelo elevado número de candidatos. Alguns deles de reduzida expressão eleitoral segundo as sondagens. "No caso das televisões e das rádios deixa-nos limitações insuperáveis que acabam por prejudicar os eleitores".

Na sua opinião, um debate a 12 na rádio também é "impensável". "Não seria um debate, mas um atropelo entre pessoas." Defende ainda que 30 anos de democracia e cobertura de actos eleitorais já deram para perceber que, embora as sondagens não dêem resultados exactos, são feitas precisamente para aferir quem tem condições de ser eleito. "E nisso elas acertam! Deviam ser também um critério justificável para a aferição jornalística".

A TSF optou por fazer, nas duas próximas semanas, duas entrevistas por dia, de 40 minutos, aos 12 candidatos. Os cabeças-de- lista do PSD e do PPM, respectivamente, Fernando Negrão e Gonçalo Câmara Pereira foram ontem os primeiros. Durante a campanha eleitoral, que começa dia6 de Julho, a TSF restringe o seu trabalho a jornais de campanha e a um mesmo tipo de espaço noticioso alargado ao final do dia.

Das televisões, só a RTP1 arrisca no dia 9 de Julho o debate a 12 vozes. Luís Marinho, director de Informação do canal público, garantiu ao DN que "será dado igualdade de tratamento a todos os candidatos" num debate que será moderado por Fátima Campos Ferreira. "A experiência dela no Prós e Contras vai, com certeza, permitir conduzir este debate difícil para uma televisão", afirmou Luís Marinho.

A RTP vai ainda fazer entrevistas individuais de 10 minutos, no Telejornal, a todo os cabeças-de lista à presidência da Câmara de Lisboa. António Costa, Fernando Negrão, Ruben de Carvalho, Telmo Correia, Carmona Rodrigues, Helena Roseta, Manuel Monteiro (Partido da Nova Democracia), Gonçalo da Câmara Pereira (PPM), Quartim Graça (Partido da Terra), José Pinto Coelho (PNR) e Garcia Pereira (MRPP) vão conversar com os tais 10 minutos com um jornalista do canal público, fora de estúdio, sobre Lisboa.

O mesmo modelo vai ser seguido pela Antena 1 a 6 de Julho, que também vai entrevistar todos os dias um candidato à hora de almoço.

Antes de se confrontar com a "enxurrada" de candidatos ao "trono" dos paços do concelho, a TVI endereçou convite a António Costa e Fernando Negrão para um frente-a-frente, como foi confirmado ao DN por Mário Moura, director-adjunto de Informação da TVI. Mas ontem foi decidido que não será feito qualquer debate entre os candidatos. Mantém-se apenas a cobertura normal de pré e de campanha eleitoral.

A Rádio Renascença assume sem pudor que vai "privilegiar" os mesmos candidatos seleccionados pela SIC-Notícias para o seu primeiro debate. Durante esta semana serão feitas as sete entrevistas. Raquel Abecassis, da direcção da estação católica, sublinha que "a opção da Renascença de fazer as entrevistas fora da campanha eleitoral é para não estarmos obrigados a respeitar a equidade entre todos os candidatos, alguns sem qualquer peso eleitoral".

O RCP, dirigido por Luís Osório, também dedica 50 minutos da sua emissão a entrevistar apenas os tais sete candidatos. |


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