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Alegações finais de Carlos Borrego (PROFESSOR NA UNIVERSIDADE DE AVEIRO): "Em Alcochete não haverá especulação imobiliária"

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FRANCISCO ALMEIDA LEITE  

Como é que surge como coordenador de estudo sobre uma alternativa ao aeroporto da Ota?

A coordenação é minha, mas acompanhado por Miguel Coutinho. A ideia não foi nossa, foi da Confederação da Indústria Portuguesa (CIP), que nos fez a encomenda.

Há quanto tempo foi isso?

A CIP solicitou à Universidade de Aveiro um estudo há cerca de dois meses e meio. Começámos a procurar locais onde o impacte ambiental fosse quase zero. Usámos muita informação que nem sequer estava disponível quando foram feitos outros estudos, como sistemas geográficos, bases de dados e informação ambiental. Temos muita informação sobre corredores ecológicos e coisas do género, que antes não havia.

Foi então que encontraram Alcochete?

Aquela área do Campo de Tiro de Alcochete é muito vasta e uma das zonas, a H6, é melhor do que a Ota em vários indicadores.

Bate a Ota aos pontos?

É quase imbatível, diria. É difícil encontrar melhor.

Um dos argumentos é que os terrenos são maiores.

São muito maiores e não custam nada ao Estado, não há lugar para a especulação imobiliária, como existe no caso da Ota. Depois, trata-se de terrenos planos, quase sem declives, ao contrário da Ota. No Campo de Tiro de Alcochete poupa-se cerca de 750 milhões só na terraplanagem, que é reduzida a valores quase ridículos. Há muita poupança neste caso.

Mas aqueles terrenos são usados pela Força Aérea.

Houve contactos com o chefe do Estado-Maior da Força Aérea, que nos disse que caso Alcochete fosse escolhida, a Força Aérea seria sempre parte da solução e não parte do problema.

Como vê a análise que o LNEC vai fazer?

Não tenho a certeza do que possa vir a ser. Nós próprios ainda não terminámos o nosso estudo, que é preliminar. Sabemos por exemplo que na Ota a construção teria de ser feita toda ao mesmo tempo, por causa dos aterros.

Ao passo que em Alcochete não há aterros, é possível avançar só com uma pista e depois ir ajustando porque a área é muito maior.

O que vos falta fazer?

No nosso estudo ainda não desenvolvemos as acessibilidades e o desenvolvimento regional em termos de cidade aeroportuária, que, como sublinhou o professor Augusto Mateus, é muito importante. Ali em Alcochete há espaço, na Ota isso está muito limitado. No Campo de Tiro temos 7500 hectares onde só 2000 são para o aeroporto. O resto dá para fazer muitas infra-estruturas.

Como viu a gaffe de Mário Lino, quando falou da Margem Sul como "um deserto"? O senhor também foi fustigado por uma coisa do género... [Demitiu-se de ministro do Ambiente de Cavaco Silva por ter contado uma anedota]

Essa questão foi muito empolada na altura, como aliás foi agora com o eng. Mário Lino. Desvalorizo completamente a situação que agora aconteceu com ele.|


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