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Alcochete e Ota pairam sobre festejos de Setúbal

por

SUSETE FRANCISCO e GRAÇA HENRIQUES  

10 de Junho junta Cavaco e Mário Lino em Setúbal

Cavaco disse ontem que não era dia para falar da Ota, mas esta promete mesmo ser a semana da Ota. A começar já hoje e no palco a que Mário Lino chamou há poucas semanas um "deserto": o ministro das Obras Públicas e o Presidente da República encontram-se hoje nas cerimónias do 10 de Junho, em Setúbal. Será o primeiro frente-a-frente desde que Cavaco Silva começou a sublinhar a necessidade de estudos aprofundados sobre a localização do novo aeroporto de Lisboa - em claro antagonismo com a posição do ministro, que tem reafirmado a opção do Governo pela Ota.

Com o Presidente da República a "apertar o cerco" à decisão do Executivo - amanhã, Cavaco recebe um estudo patrocinado pela Confederação da Indústria Portuguesa (CIP) que defende o campo de tiro de Alcochete como a melhor localização, recebendo depois um grupo de representantes de um abaixo-assinado que pede mais estudos sobre esta matéria - a questão da Ota ameaça transformar-se no mais incómodo dos dossiers entre Belém e São Bento. "É um momento político delicado", reconhece fonte governamental. Que, mesmo afirmando que o Executivo "está aberto ao diálogo e vê com atenção todos os estudos", insiste que a Ota continua a ser a opção preferencial. Mesmo face ao estudo da CIP, que já está nas mãos do primeiro-ministro - mas ainda não de Mário Lino. Mas no interior do Governo, há já quem admita que o processo dependerá da pressão que Cavaco Silva exercer sobre a necessidade de considerar alternativas. Até agora, o chefe de Estado - que tem estado a ouvir diversas personalidades sobre esta matéria - tem repetido declarações a defender a necessidade de estudos e de um debate alargado sobre a localização do novo aeroporto, sem nunca se pronunciar em específico sobre a Ota. Mas a pressão em crescendo de Belém está a ser seguida com preocupação em São Bento.

Polémica na CIP

Se falar em novo aeroporto é sinónimo de falar em polémica, a premissa também já é válida para a CIP. Membros da direcção de Francisco Van Zeller vieram ontem demarcar-se da iniciativa, afirmando que o estudo que amanhã será entregue ao Presidente da República não pode ser atribuído à confederação. "O estudo foi feito a título pessoal pelo presidente e não é uma posição da Confederação Industrial Portuguesa", sustentou à Lusa Armindo Monteiro, um dos vice-presidentes daquela entidade. "Ficou claro nos órgãos internos que a CIP não patrocina, nem financia qualquer estudo para uma determinada localização do aeroporto", defendeu outro vice-presidente, Reis Campos. Eleita há cerca de um mês (Van Zeller foi reeleito), a actual direcção da confederação industrial não tem, aliás, conhecimento do teor do documento. Isso mesmo disse ao DN Mira Amaral, outro dos nomes da vice-presidência: "Não conheço nem fiz questão de conhecer, esse dossier foi tratado na direcção anterior, vejo-o como uma iniciativa do engenheiro Francisco Van Zeller". Uma questão que o presidente da CIP não quis ontem comentar.


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