Publicidade
Diário de Notícias Diário de Notícias


artes

O país na máquina do tempo

por

PAULA LOBO  

O que é que o mercado de Vila da Feira desenhado por Fernando Távora tem a ver com Simone e Madalena Iglésias? O que é que o homem da Regisconta e os colchões Molaflex têm a ver com as Doce, a Igreja do Sagrado Coração de Jesus de Teotónio Pereira/Nuno Portas e o Bonjour Tristesse de Siza em Berlim? Resposta: todos fazem parte da história recente do País, e é isso mesmo que, com humor e imaginação, se recorda em "Europa, Arquitectura Portuguesa em Emissão", uma das exposições com que hoje se inaugura no Pavilhão de Portugal a Trienal de Arquitectura de Lisboa.

A ideia era ambiciosa: selecionar exemplos da arquitectura portuguesa aquém e além fronteiras, antes e depois da adesão à União Europeia. Delimitando épocas e geografias, os arquitectos/comissários Nuno Grande e Jorge Figueira elegeram 37. E dividiram-nos em dois núcleos.

De Simone a Nel Monteiro

No capítulo "Eurovisão", que vai dos anos 50 a 1986, cabem as construções do tempo da ditadura, as experiências arrojadas nas colónias e a habitação social do pós-25 de Abril. Ou seja, o Bairro das Estacas (de Ruy Athouguia/Formosinho Sanchez), o edifício "Leão que Ri" de Maputo (Amâncio Guedes) ou o conjunto "Pantera Cor-de-Rosa" (Gonçalo Byrne) e o Bairro de S. Vítor (Siza).

É aqui que, como flashbacks, surgem sons, modas e anúncios, associados a fotografias captadas pelos autores dos projectos ou outros arquitectos (a do mercado da Feira, por exemplo, é de Teotónio Pereira).

Apelando à "memória colectiva", os comissários contextualizaram as obras para mostrar que "os arquitectos também estão ligados às coisas". Assim se prova como, com "esforço pessoal", se foi acompanhando a Europa e melhorando o País.

No segundo núcleo, o ritmo já é ditado pelas notícias em directo da Euronews. E o global e o local aparecem lado a lado. As piscinas de Siza em Barcelona e o centro cultural de Cristina Veríssimo e Diogo Burnay no Cartaxo. O Teatro Municipal da Guarda, de Carlos Veloso, e a Praça Van Nam em Macau, de Manuel Vicente. O Museu da Luz, de Pedro Pacheco e Marie Clément, e o auditório de Carrilho da Graça em Poitiers.

Com maquetas, fotos da construção e textos (evitando propositadamente a visão glamorosa das revistas) se revela como "a arquitectura está a consolidar as cidades".

A par destas visões " analógica" e "digital" exibe-se o documentário Arquitectura de Peso, de Edgar Pêra, sobre os desígnios políticos e as polémicas de quatro obras de regime: CCB, Expo'98, Euro 2004 e Casa da Música. O realizador, que venceu um concurso para o filme, projectou imagens televisivas de arquivo nas fachadas. E juntou-lhes música original de Vítor Rua e do cantor pimba Nel Monteiro, que funciona como uma espécie de vox populi, crítica e bem humorada.|


ImprimirImprimirEnviar por EmailEnviar por Email
PartilharPartilhar


Especiais

Recuar
Avançar
PUBLICIDADE


RSS


PATROCÍNIO
sondagem

Inquérito DN

Se tivesse possibilidades económicas compraria uma viagem ao espaço?

Sim
Não
Votar  Ver Resultados




Desporto

Todas as notícias

Todas as notícias

Cartaz

PLANO GERAL

PLANO GERAL

Portugal

Facebook

Facebook

Televisão

Guia TV

Guia TV

Portugal

Twitter

Twitter




Diário de Notícias, 2009 © Todos os direitos reservados | Termos de Uso e Política de Privacidade | Ficha Técnica | Publicidade | Contactos