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Governo dá a mil freguesias 'kits' com picaretas para apagar fogos

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JOÃO FONSECA  

Os ministérios da Administração Interna e da Agricultura "vão lançar a concurso um projecto" para equipar juntas de freguesia com "kits de primeira intervenção" de combate a incêndios florestais, revelou ontem, na Figueira da Foz, o ministro Jaime Silva, onde se deslocou para apresentar o Dispositivo de Prevenção Estrutural de fogos florestais.

Os equipamentos com que aqueles ministérios pretendem dotar cerca de um milhar de autarquias visam dar-lhes alguma capacidade de resposta aos fogos florestais e implicam um investimento da ordem dos oito milhões de euros, disse ainda o titular da Agricultura, admitindo ser possível disponibilizar "já este Verão" estes meios de intervenção - embora a época de incêndios já tenha começado, o que torna muito difícil que a promessa se concretize ainda em 2007.

"É muito importante este equipamento" (constituído, essencialmente, por pequenos tanques de água, mangueiras, machados e picaretas), para que "as populações, nomeadamente as que vivem no mundo rural" e que "primeiramente acorrem aos incêndios, tenham um mínimo de meios" para, com "alguma segurança", os poderem combater.

Os kits de primeira intervenção, custando cerca de oito mil euros cada um, serão distribuídos pelas freguesias, em "função da importância da área florestal" em que se integram e de acordo com a sua distância em relação aos quartéis de bombeiros e outras forças de combate a fogos.

Na sessão de ontem, na Figueira da Foz, foram apresentadas 205 equipas do programa de sapadores florestais, que representam mais quatro dezenas que em 2006, sendo a meta do Governo, de acordo com o ministro da Agricultura, formar vinte novas equipas por ano, embora isso "dependa muito da actividade do sector privado". Quem tem a floresta, recorda Jaime Silva, "são os privados e estas equipas de sapadores florestais associam o Estado ao sector privado" - são financiadas, em partes iguais, pelo Ministério e proprietários florestais.

Dos cerca de três milhões de hectares de floresta produtiva portuguesa, apenas três por cento são património público, salienta Jaime Silva, considerando ser "importante que os privados compreendam que não só prestam um serviço social ao país em termos ambientais, como também em termos económicos".

Referindo-se à limpeza das florestas e matas, o ministro diz que, este ano, foram limpos "cem mil hectares de floresta e dois mil quilómetros de caminhos", mas, alerta, "há muito mais para fazer no futuro". |


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