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DIANA MENDES
Depois de acordar, quase todas as crianças tomam pequeno-almoço. A notícia seria boa se as escolhas não recaíssem sobre bolachas, batatas fritas e bolos. Segundo um estudo, só uma em 27 500 crianças cumpre as regras de nutrição e não acrescenta açúcar a alimentos que já o têm em excesso. Estes erros ajudam a explicar o facto de uma em três crianças portuguesas sofrer de obesidade.
"A escolha não é da criança. É de quem lhe dá o pequeno-almoço", disse ao DN Fernanda Mesquita, nutricionista e coordenadora do estudo do Gabinete de Investigação em Nutrição do Instituto Superior de Ciências da Saúde Egas Moniz, que é hoje apresentado. A maior parte das crianças (93%) toma a refeição em casa. Aí as escolhas são dos pais, mas parte do problema está "nas cantinas das escolas, que vendem tudo, até leite com chocolate. Houve uma escola que disse que não podia mudar a oferta porque a concessão era mais barata", lamentou.
O estudo realizado no âmbito do projecto Bom Dia Planta, que envolveu 27500 crianças entre os 6 e os dez anos em Portugal, permitiu concluir que apenas 12,4% das crianças fazem um pequeno-almoço com produtos saudáveis, mas não inteiramente. "As crianças nunca deviam comer alimentos com açúcar. É um escândalo, por isso temos tantos diabéticos. O açúcar que os alimentos têm é suficiente, mas elas põem-no no leite, iogurtes e até no leite com chocolate", frisa.
Outro erro comum é o excesso de horas em jejum. Quase 85% das crianças passa pelo menos onze horas sem comer, desde a última refeição até ao pequeno-almoço. "As crianças não devem passar mais de oito horas sem comer. É mau para o cérebro, porque ao fim desse período começa a consumir glucose dos músculos", explica, realçando que um copo de leite antes de dormir é uma solução simples.
Numa refeição que deve englobar 20 a 25% das calorias diárias, as escolhas passam pelas bolachas (57%), batatas fritas (11%) e pelos bolos (27%), quando o mais correcto é comer "pão com creme de barrar vegetal, fiambre ou queijo, leite, fruta, iogurtes". Os cereais são uma má opção, com excepção da aveia, "porque têm muita gordura e açúcar". O estudo feito em todo o País, permitiu concluir que, "em Lisboa, as escolhas são melhores, porque há mais programas de educação e informação".|
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