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Ucrânia respira de alívio após acordo entre rivais

por

HELENA TECEDEIRO

EPA/LUSA-SERGEY DOLZHENKO (imagem)  

"A crise política terminou", garantiu ontem o Presidente ucraniano, o pró-ocidental Viktor Iuchtchenko, após ter chegado a acordo com o primeiro-ministro pró-russo Viktor Ianukovitch sobre a data para as legislativas antecipadas. Depois de uma longa noite de negociações, os velhos adversários durante a revolução laranja de 2004 decidiram que o escrutínio terá lugar a 30 de Setembro; um compromisso que necessita ainda da aprovação do Parlamento, onde os analistas ucranianos temem poder haver uma surpresa de última hora.

Às primeira horas da manhã, Iuchtchenko e Ianukovitch surgiram lado a lado perante os jornalistas em Kiev para comunicar que haviam encontrado a solução para a crise. Esta começou em Abril, quando o Presidente dissolveu o Parlamento e acusou o primeiro-ministro de aliciar deputados do seu partido para votarem ao lado dos pró-russos. A tensão baixou quando Ianukovitch aceitou a convocação de eleições antecipadas, mas voltou a subir quando se tornou claro que os dois campos não concordavam sobre uma data. Os pró-ocidentais queriam que se realizassem em Junho ou Julho, os pró-russos preferiam Outubro. Setembro foi o compromisso possível.

"A Ucrânia sai mais forte desta crise", garantiu Iuchtchenko enquanto Ianukovitch sublinhava a necessidade de não repetir os erros do passado: "Vamos fazer tudo para que isso não aconteça", afirmou. Em sinal de reconciliação, os velhos adversários, que surgiram sorridentes e descontraídos, anunciaram que iam assistir juntos à final da taça da Ucrânia, mesmo não sendo adeptos da mesma equipa.

Mas apesar do optimismo, Ianukovitch preferiu mostrar-se prudente. "Estou convencido que não há qualquer vantagem económica ou social em realizar eleições antecipadas", disse o primeiro-ministro. O líder do Partido das Regiões admitiu, contudo, que irá respeitar a vontade dos deputados, que se irão pronunciar, hoje e amanhã, sobre a data das eleições. "Pode haver surpresas durante a votação", disse à AFP Kost Bondarenko. O politólogo ucraniano alertou para o facto de os comunistas, ferozes opositores a Iuchtchenko e membros da coligação no poder, poderão bloquear ou, pelo menos, adiar a votação.

A decisão de Iuchtchenko e Ianukovitch foi saudada pelos vários partidos com representação do Parlamento ucraniano. "Foi uma decisão sensata que permitirá estabilizar a situação", disse à agência Interfax Mikhailo Tchetchetov, do Partido das Regiões. A Nossa Ucrânia, de Iuchtchenko, e o Bloco Iulia Timos-chenko, da sua aliada dos tempos da revolução, também aprovaram um acordo que veio acalmar os receios de uma escalada da violência depois de tropas fiéis ao Presidente terem avançado para Kiev no sábado.

Preocupada com uma eventual acção militar, a comunidade internacional mostrou-se ontem aliviada com a marcação de uma data para as eleições na Ucrânia. O Conselho da Europa saudou um acordo "dos ucranianos e para os ucranianos" e o alto representante da UE para a política externa, Javier Solana, considerou que "todos saíram a ganhar". |


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