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por
ANA TOMÁS RIBEIRO
API quer parcerias com tecnológicas portuguesas
O primeiro-ministro português parte hoje para a Rússia com cinco ministros e uma comitiva de cerca de 50 empresários, com interesses em de-senvolver negócios naquele mercado. Uma viagem que tem por objectivo reforçar as relações económicas entre a Rússia e Portugal.
Do lado russo, segundo fonte da Embaixada russa em Portugal, há também interesses em investir em Portugal e em estabelecer parcerias com empresas portuguesas para efectuarem negócios na Rússia. Por isso, 50 empresas russas preparam-se para desenvolver contactos com empresas nacionais no decurso desta viagem.
O presidente da API - Agência Portuguesa de Investimento, Basílio Horta, gostaria que alguns dos investimentos russos fossem canalizados para Sines.
Aliás, em declarações ao DN, o responsável da API diz que espera que no decurso desta visita seja feito um convite ao presidente Vladimir Putin para visitar aquela cidade quando se deslocar a Lisboa, em Outubro, para a realização da Cimeira UE/Rússia.
"Seria interessante que o Presidente Putin pudesse ver as condições fantásticas que o porto de Sines tem para ser uma verdadeira porta de entrada de produtos da África e da América na Europa, que pode ser estratégico para a Rússia".
Basílio Horta defende ainda que Sines tem um indústria petroquímica, um sector em que a Rússia tem uma forte presença.
Quanto às oportunidades de empresas portuguesas no mercado russo, o presidente da API defende que aquele país tem todas as vantagens em estabelecer parcerias com empresas nacionais na área das tecnologias de informação.
Esta é a mensagem central que a será passada no decurso desta visita, onde estarão presentes 14 empresas nacionais daquele sector que irão participar num mostra tecnológica em Moscovo.
"Espero que a Rússia entenda que Portugal é, nesta matéria, um parceiro muito credível", acrescenta. Nos sectores da construção e do turismo, Basílio Horta também vê grandes oportunidades para as empresas portuguesas naquele mercado.
As empresas que vão com Sócrates à Rússia representam vários sectores de actividade, desde o calçado e cortiça - já com uma longa e importante relação com aquele mercado - até à energia, construção, turismo, cerâmicas, moldes e aeronáutica e uma do sector financeiro, o Banco Finantia. Muitas delas com o objectivo de estabelecer parcerias com empresas russas e algumas com ideia de lançar projectos naquele país, como é caso da Logoplaste que quer criar duas fábricas na Rússia.
A Efacec, por exemplo, deverá ultimar os pormenores de um acordo a assinar com industriais russos para fornecer equipamento para aquele mercado.
A petrolífera Galp, que há vários anos tem relações comerciais com os russos na área do aprovisionamen- to de petróleo bruto e derivados, admite agora a hipótese desenvol- ver algumas parcerias no domínio do fornecimento de gás natural com a Gazprom. A empresa gostaria ainda de estender as suas actividades naquele mercado à área de exploração e produção de petróleo e gás.
A Fomentinveste irá assinar um contrato com a gigante russa do gás para a compra de licenças de emissão de CO2 no valor de 20 milhões de euros.
A visita de José Sócrates, contudo, não tem apenas como objectivo reforçar as relações económicas entre os dois países - como o próprio primeiro-ministro diz numa declaração no site que dará conta de todos os aspectos desta viagem no endereço, www.missaorussia.gov.pt.
A ideia é também procurar a aproximação entre a Europa e a Rússia. Uma missão difícil que conta com vários obstáculos, em particular os colocados pelos países do Leste que integram a UE, como, aliás se verificou na última cimeira, realizada há cerca de uma semana em Samara, onde não foi possível chegar a qualquer acordo de cooperação com aquele país, apesar dos esforços da presidência alemã.
O primeiro-ministro, que se vai encontrar com Putin no Kremlin, no terceiro dia da sua estada em Moscovo, quer começar a preparar a cimeira UE/Rússia, que se realiza no decurso da presidência portuguesa.
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