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KATIA CATULO
RODRIGO CABRITA (imagem)
Quase todos os lisboetas, até os mais distraídos, reparam quando os jacarandás estão floridos. O espectáculo dura só duas ou três semanas - entre finais deste mês e meados do próximo -, altura em as árvores libertam as suas flores sobre as avenidas, praças ou jardins de Lisboa.
Tapetes lilases cobrem as ruas da capital, mas este fenómeno provoca alguma irritação a quem vive ou trabalha na capital: "É uma praga, embora seja uma praga doce", desabafa Marta Maldonado, moradora na Avenida D. Carlos I. Nos últimos dias, a residente do n.º 99 da avenida sai sempre de casa munida de esponja ensopada em detergente. "Para tirar isto é preciso uma boa esfregadela", explica Marta, apontado para as flores que secaram no tejadilho do seu automóvel.
E é por essa mesma razão que António Fortes, empregado da Cafetaria El Rey D. Carlos, evita estacionar nesta altura do ano debaixo das árvores alinhadas na Avenida D. Carlos I. Na maioria das vezes é mal sucedido e não tem outra alternativa senão transformar o seu automóvel no alvo certeiro dos jacarandás: "Reconheço que a cidade fica deslumbrante com as copas floridas, mas é muito irritante encontrar quase todos os dias manchas de flores ressequidas no meu automóvel", admite, justificando que, por mais que limpe as nódoas, estas nunca desaparecem por completo.
Quem diria, portanto, que os jacarandás de Lisboa têm um lado negro (ou seria melhor dizer lilás)? Mais do que isso é um assunto que divide os lisboetas. Há quem defenda que a espécie deveria estar confinada aos jardins e praças da capital: "Só assim se poderia evitar que as ruas e os carros ficassem sujos", argumenta António Forte.
Outros há que nunca irão concordar com esta solução. "É o preço que se paga para termos a cidade mais bonita por algumas semanas", justifica Graça Valente que há 47 anos vive no Bairro da Madragoa.
Estar contra ou a favor dos jacarandás não impede os automobilistas de terem de tolerar esta "praga doce" por mais algumas semanas. "É sempre possível encontrar o lado positivo desta questão", explica Graça Valente, recordando que, em mais nenhuma época do ano, os lisboetas andam "com a cabeça no ar" à descoberta das copas lilases. Mas a pensionista de 66 anos reconhece que se tivesse de estacionar todos os dias o seu automóvel na Avenida D. Carlos I, "talvez" não fosse tão optimista.|
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