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Sistema único de pagamentos vai acabar com multibanco gratuito

por

PAULA CORDEIRO

RODRIGO CABRITA (imagem)  

O sistema de pagamentos e levantamentos automáticos português, o conhecido multibanco, corre o sério risco de deixar de ser gratuito, perante a entrada em vigor do sistema único de pagamentos europeu (SEPA) a partir de 2008, afirmou ontem ao DN Vítor Bento, presidente da SIBS - Sociedade Interbancária de Serviços. Em entrevista à agência Lusa, o responsável pela empresa que gere o multibanco já tinha apontado um outro risco: o fim de algumas funcionalidades actualmente existentes em Portugal através desta rede.

"Os portugueses não vão ganhar nada com a SEPA", defendeu Vítor Bento. Isto porque a redução de custos, resultante da uniformização dos sistemas, só acontecerá nas operações de maior escala. E a uniformização pode igualmente resultar no fim da gratuitidade de algumas operações, com acontece em Portugal, com os levantamentos e pagamentos no multibanco. "Muitos esquecem-se que somos dos poucos países europeus onde esses serviços não são pagos, porque os bancos assim o entendem", relembrou o presidente da SIBS.

Entre 2008 e 2010, a SEPA vai começar a ser aplicada, com todos os sistemas bancários nacionais a terem de se adaptar aos requisitos do espaço único de pagamentos, A principal característica é a de que não pode haver diferenciação entre serviços de pagamento com cartões bancários, nacionais e transfronteiriços. "A SEPA vai transformar os diferentes sistemas de pagamento europeus numa commodity, ou seja, num produto sem diferenciação", disse ainda ao DN.

De acordo com dados revelados recentemente pela Comissão Europeia, em média, na Europa, um cidadão paga 1,3 euros por cada levantamento numa caixa automática.

"É óbvio que, se os custos se reduzem, os bancos vão procurar outras fontes de financiamento", acrescentou. Mas, para Vítor Bento, estes são apenas cenários que não condicionam a actuação da SIBS. "Temos consciência de que estes riscos existem, são maiores com a SEPA, mas continuamos a trabalhar o nosso sistema de pagamentos com vista a uma maior eficiência e modernidade", disse ainda.

Os sistemas nacionais de menor escala, como é o caso português, vão enfrentar a concorrência dos grandes processadores europeus e norte-americanos (empresas tecnológicas que fazem toda a operação por detrás de um levantamento e pagamento).

À Lusa, o presidente da SIBS adiantou que a empresa "está a tentar ganhar escala, através de acordos com congéneres europeias". Este tem sido um movimento seguido por outros países , com alguns processadores a optarem por serem vendidos a outros maiores, como aconteceu na Bélgica e na Finlândia.

Para este responsável, crítico da SEPA, a criação deste espaço único é um objectivo político, que não corresponde a uma necessidade de mercado. E comprova a sua afirmação com o facto das transacções transfronteiriças representarem apenas 3% do total, em média, na Europa e cerca de 2%, em Portugal.

De acordo com um estudo recente da Accenture, os principais bancos europeus vão investir mais de três mil milhões de euros nas alterações dos sistemas de pagamento, para cumprirem os requisitos da zona única de pagamentos. Neste estudo, onde Portugal não está incluído, cada banco prevê gastar, em média, 23 milhões de euros nas adaptações necessárias na adopção da SEPA.|


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