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sociedade

20% dos alunos são vítimas de 'bullying'

por

ELSA COSTA E SILVA

HERNÂNI PEREIRA (imagem)  

Nas escolas básicas portuguesas, um em cada cinco alunos é vítima de uma intimidação constante por parte de colegas - que inclui agressões, insultos e exclusões de jogos. É o bullying, termo que não tem tradução para português, mas que está bem difundido nos estabelecimentos de ensino do País. O último caso conhecido afecta um menino de 12 anos, que sofreu de cancro, e cujos pais tentaram, sem sucesso, que a escola que frequenta o mudasse para outra turma.

João Miguel frequenta o sétimo ano e grande parte dos colegas de turma acompanhou a sua doença, um tumor do sistema nervoso central. Mas, ainda assim, foi rejeitado. E mais: foi insultado pelos colegas e vítima de sucessivas humilhações. Os pais pediram, insistentemente, ao conselho executivo que mudasse o menino de turma.

Chegaram a pedir a intervenção da Inspecção-Geral da Educação. Na falta de respostas e temendo o agravamento do estado de saúde do filho, não o deixaram ir mais às aulas. No terceiro período, Miguel não foi à escola. O DN tentou ouvir ontem o presidente do conselho executivo da escola, a EB2,3 de Rio Tinto, mas os responsáveis passaram o dia todo em reuniões com a Direcção Regional de Educação do Norte.

Os pais acusam a escola de não ter sabido lidar com o problema. Mas a falta de capacidade dos responsáveis escolares para resolver questões de bullying é comum no País. Beatriz Pereira, investigadora da Universidade do Minho, explica que "falta ainda muita formação e sensibilização nas escolas ". Há professores, diz ainda, que, "individualmente, tentaram encontrar soluções. Mas só se resolve com políticas gerais da escola". A especialista lamenta ainda a falta de formação de docentes na área e salienta a necessidade de o problema ser encarado pelo projecto educativo de cada escola.

Um estudo das universidades do Minho, Porto e Técnica de Lisboa mostra que um em cada cinco alunos entre os 10 e os 12 anos é vítima de bullying na escola. E mais, um em cada oito assume-se como agressor nesta relação entre pares. Os rapazes parecem ser mais afectados pelo problema, mas os investigadores não notaram grande diferença entre as escolas citadinas ou as rurais.

Neste trabalho, em que Beatriz Pereira participou, foi ainda evidente que existem diferenças significativas de acordo com o estatuto sócio-económico: entre vítimas e agressores, encontram-se mais alunos das classes baixas. Os insultos são a forma de bullying mais prevalente. No Norte, os investigadores detectaram mais casos de agressão e, a Sul, de exclusões. |


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