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Sobrevivência ao cancro duplicou em 30 anos

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RUTE ARAÚJO  

Em apenas 30 anos, aumentou para o dobro o número de doentes diagnosticados com cancro que conseguem sobreviver dez anos à doença. Os números são de um estudo inglês, que analisou a incidência das principais doenças oncológicas e a respectiva mortalidade na população. Em Portugal, os dados existentes continuam a não ser fiáveis, mas os especialistas dizem que a batalha contra o cancro tem também sofrido melhorias nas últimas décadas.

De acordo com a análise feita por uma equipa de epidemiologistas da London School of Hygiene and Tropical Medicine, o cancro já não é uma sentença de morte como há décadas e está a tornar-se numa doença com a qual as pessoas vivem. Melhorias nas terapêuticas, diagnósticos precoces e maior consciência da população sobre estas patologias são os grandes responsáveis pela evolução.

Se em 1971 a percentagem de doentes a quem era diagnosticado cancro e para os quais se esperava uma sobrevivência de dez anos ficava pelos 23,6%, em 2000/2001 este valor disparou para quase metade - 46,2%. Para os especialistas, o período de dez anos funciona como um marco a partir do qual a doença pode ser considerada perto da cura. A hipótese de sobreviver varia, no entanto, com os tipos de cancro - o do pulmão ou do pâncreas continuam difíceis de tratar - e com o sexo - as mulheres têm mais possibilidade de viver do que os homens. As autoridades inglesas querem agora aumentar a sobrevivência para 60% até 2020.

Jorge Espírito Santo, presidente do colégio de Oncologia da Ordem dos Médicos, explica que em Portugal os dados existentes continuam a dar um retrato pálido do que acontece na realidade. Mas se em 2000, o país estava mal colocado na Europa em mortalidade do cancro (ver texto em baixo), a situação tem melhorado.

"A disseminação de oncologistas e serviços de oncologia pelo País aconteceu nos anos 90 e os resultados demoram pelo menos uma década a tornar-se visíveis", explica o médico. Para o oncologista, tem havido pequenos avanços nas terapias que, todos juntos, conseguem produzir efeitos importantes na luta contra a doença. Mas, acrescenta, a grande diferença está na detecção do problema numa fase mais precoce - e para isso contribuiu uma melhor cobertura médica, rastreios frequentes e exames regulares, além de uma maior informação por parte das pessoas.

Contudo, Jorge Espírito Santo considera que o diagnóstico atempado ainda é um problema no País e o tempo que vai da detecção para o início do tratamento faz toda a diferença. "Mais do que os avanços na investigação científica, que só têm resultados práticos passado décadas, o importante é a forma como os serviços se organizam e como respondem aos seus doentes o mais rapidamente possível", defende.|

O cancro do pulmão continua a ser o mais mortal porque é dos mais difíceis de tratar. "O da próstata também apresenta problemas complicados, mas outros, como o do cólon ou da mama, há já terapêuticas muito eficazes", explica.

Certo é que a incidência de cancro tem aumentado desde os anos 40 e a tendência é para continuar a crescer nas próximas décadas. "É inevitável. A partir dos 60 anos, os casos são mais prováveis e, com o aumento da esperança média de vida, há cada vez mais pessoas a viverem para além desta idade." |


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