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AMADEU ARAÚJO, Viseu
Palmira Correia, uma mulher de 76 anos, residente em Penalva de Alva, no concelho de Oliveira do Hospital, construiu e adornou no cemitério local a sua própria campa, como se ela própria estivesse lá sepultada. Como está viva e de boa saúde, a solução foi aproveitar o "investimento" para enterrar a irmã.
A mulher, natural de Souto de S. Gião, "toda a vida foi uma solteirona até que casou com Joaquim Correia um senhor viúvo com três filhos que a levou para Penalva", refere Maria Helena, que reside na Carvalha e conhece bem Palmira. Nessa altura, relata, "Palmira, já tinha amealhado uns trocos e dispunha de muitas terras que herdou dos pais." Quando o marido morreu, em 1988, Palmira ficou de novo sozinha, apenas com uma das duas irmãs. É nesta altura que compra dois pedaços de terreno no cemitério: um onde sepultou o marido e outro para si própria.
Com a vida de novo desfeita, Palmira apega-se à terra e regressa à Carvalha para uma quinta que já tinha antes do casamento. É aqui que vive actualmente, quase como uma eremita. "Da quinta ela só sai aos sábados, para comprar o pão e a fruta", relata Maria Helena.
Mas "foi quando a solidão a acometeu que colocou uma campa no seu terreno, com fotografia e inscrição: 'À memória de Dª Palmira Celeste Barbas Correia. Paz à sua alma', tudo porque julgava que, na hora da sua morte, ninguém se lembrasse dela e nem uma campa lhe colocassem", conta Alice Pereira, uma "amiga antiga", como diz a própria.
Com a campa instalada, mas sem data de nascimento e de falecimento, o povo começou a falar. O tempo encarregou-se de esbater o mármore branco da campa de Palmira onde nem as flores faltavam. Conta o povo que já antes da morte da irmã, a proprietária da campa colocava flores na sua própria sepultura.
Se não faltavam as flores, faltava a defunta. Até 2003, altura em que morre a última irmã viva de Palmira, que acaba por ocupar a sua última morada. Provisoriamente. A lápide com o nome de Palmira continua no local e é aqui que a mulher conta ser sepultada|
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