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'Novo' Cais do Sodré pronto em Dezembro

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LUÍSA BOTINAS  

Edifícios vão acolher 300 funcionários

Em meados de Dezembro deste ano as novas sedes de duas instituições europeias, localizadas no Cais do Sodré, em Lisboa, deverão estar prontas para receber os respectivos serviços e 300 funcionários. As obras de construção das sedes da Agência Europeia de Segurança Marítima e do Observatório Europeu da Droga e Toxicodependência (avaliadas em 24 360 milhões de euros), da responsabilidade da Administração do Porto de Lisboa (APL), "estão a avançar a bom ritmo e deverão ser cumpridos os prazos", disse aos jornalistas Daniel Esaguy, responsável da APL, durante uma visita aos trabalhos.

Manuel Tainha, o arquitecto responsável pela concepção dos edifícios novos e pela reabilitação do Palacete do Relógio (primeira sede da APL), que irá albergar o Centro de Informação Europeia Jacques Delors, explicou que a sua solução procurou "articular as duas escalas predominantes na envolvente; uma mais monumental, a do Terreiro do Paço, e outra, mais miúda e promíscua , a do Cais do Sodré". A partir daqui, o arquitecto conta que impôs a si próprio uma cércea que se integrasse nas preexistências e não perturbasse as várias vistas sobre o rio. Assim, os dois edifícios têm, respectivamente, três e quatro pisos acima do solo, "não ultrapassando a altura da cornija do Ministério da Marinha (16 metros)". O conjunto das sedes das agências europeias (três edifícios) ocupa parcialmente a frente de rio entre o Cais do Sodré e o Terreiro do Paço. Numa área de 30 mil metros quadrados, os edifícios estão concentrados num canto, representando um total de 14.200 metros quadrados de área de construção. Numa primeira fase. A segunda fase da obra, que prevê mais um edifício com fachada para a Ribeira das Naus (com 2.000 metros quadrados), está dependente de um estudo de ordenamento para aquela artéria, da responsabilidade da autarquia.

Receios infundados

Rejeitando críticas apontadas por organizações ambientalistas e de cidadãos sobre o impacte da construção (abate de árvores, volumetria excessiva e corte da ligação com o rio), Daniel Esaguy, da APL, sublinha o facto de todo o espaço envolvente aos edifícios ser de acesso público, de ser criada "uma praça pública", de a implantação dos imóveis ser perpendicular ao rio e de o projecto de arranjos exteriores prever um passeio pedonal junto à água com uma largura de, pelo menos, cinco metros.

As fundações dos edifícios estão assentes sobre estacas (os terrenos, recorde-se, resultam de aterros feitos no século XIX) e foi ainda construído estacionamento subterrâneo num piso abaixo do solo, com capacidade para 218 carros.

As árvores removidas serão replantadas, garantiu a APL que prometeu igualmente preservar uma magnólia centenária, implantada junto ao Palacete do Relógio. Quanto ao emblemático aferidor do tempo, a APL assumiu igualmente o compromisso de o recolocar. A funcionar.


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