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HELENA TECEDEIRO
Dennis Hope diz ser dono de todo o sistema solar, excepto o Sol e a Terra
Os portugueses já podem adquirir um terreno na Lua, com direito a certificado de propriedade e até um mapa para não se enganarem na cratera. É o que garante o americano Dennis Hope, que esteve ontem em Lisboa na inauguração da primeira embaixada lunar neste país. E o negócio deste californiano, de 59 anos, parece ir de vento em popa. Desde que reivindicou a posse dos corpos celestes do sistema solar (com excepção da Terra e do Sol), há 27 anos, já amealhou nove milhões de dólares.
A ideia de vender pedaços de Lua surgiu após o divórcio. Sem dinheiro, a solução caiu do céu: reivindicar a posse dos planetas e suas luas. Para tal, baseou-se numa lei de 1862, que concede a propriedade de terras devolutas ao primeiro que as reclamar. "Senti-me como os europeus de partida para o Novo Mundo", disse Hope à imprensa no hotel Dom Pedro.
O autodenominado presidente do Governo Galáctico aproveitou uma lacuna no Tratado Espacial (1967), que proíbe os Governos de reclamarem território no espaço, mas é omisso quanto aos indivíduos. Registado como dono do sistema solar, comunicou o facto a Washington, Moscovo e à ONU. Não obtendo resposta, iniciou a venda de terrenos na Lua.
Desde então já vendeu 162 milhões de hectares - 4,5% da superfície da Lua. Um negócio que parece absurdo, mas que convenceu estrelas como Tom Cruise e Nicole Kid-man, bem como os ex-presidentes Jimmy Carter e Ronald Reagan. O próprio George W. Bush já tem um pedaço de Lua, para quando deixar a presidência dos Estados Unidos.
Mas quanto tempo falta para se poder viver na Lua? Hope responde prontamente: dentro de 50 a 75 anos, haverá "uma comunidade permanente". Até lá, o californiano promete andar pelo mundo e dar a conhecer o seu negócio. A procura de terrenos lunares, muito apreciados como presente de casamento, já justificou a abertura de embaixadas em países como Reino Unido e Austrália. E agora Portugal.
Quando lhe perguntam se é um vendedor de sonhos, Hope responde que apenas quer criar "uma sociedade sem os males da Terra". E para os criminosos já tem solução: uma prisão no lado não iluminado da Lua.
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