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por
SUSANA SALVADOR
Bento XVI defendeu a excomunhão de políticos que legalizem o aborto
O Papa chegou ontem a São Paulo, iniciando a sua visita de cinco dias ao Brasil com o desejo de que a Igreja latino-americana reforce a sua identidade "promovendo o respeito pela vida desde a sua concepção até ao seu declínio natural". Bento XVI, que discursou em português, foi recebido pelo Presidente Lula da Silva.
Ainda a bordo do Boeing 777 da Alitalia, o Papa defendeu que os políticos católicos que aprovem a legalização do aborto sejam excomungados. "Está escrito no direito canónico que a morte de uma criança é incompatível com a comunhão ", disse. Bento XVI referia-se à ameaça de excomunhão proferida pela hierarquia da Igreja mexicana ao presidente da câmara da Cidade do México, que aprovou a liberalização da interrupção voluntária da gravidez.
A polémica sobre o aborto foi também lançada no Brasil pelo ministro da Saúde, José Gomes Temporão. Ontem, o ministro afirmou que se os homens engravidassem "a questão já estaria resolvida há muito tempo".
Além do aborto, o Papa deverá também falar da sua "preocupação" com a progressão das "seitas" no Brasil, numa referência às igrejas evangélicas e pentecostais. Nos últimos anos, o número de católicos no Brasil caiu para quase 74% - ou seja 140 milhões -, enquanto os evangélicos representam já perto de 18% da população. "Devemos tornar-nos mais missionários, ou mais dinâmicos, para oferecer respostas à sede de Deus", afirmou o Papa no avião. O tema será um dos principais da V Conferência Geral do Episcopado da América Latina e Caraíbas, que Bento XVI inaugura no domingo.
Milhares de pessoas aguardavam desde a manhã de ontem, à chuva e ao frio, a chegada do Papa ao Mosteiro de São Bento, para receber a sua primeira benção. Dez mil homens sob comando do exército brasileiro participam na Operação Arcanjo, que garantirá a segurança do Papa durante a visita ao Brasil. Uma viagem que não está isenta de polémica, nomeadamente devido aos custos que acarreta. Bento XVI poderá falar na pobreza que existe no país e na região, mas ao almoço irá beber um vinho que custa 350 reais (130 euros) a garrafa. Com agências
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