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PJ suspeita de funcionários do aldeamento turístico

por

JOSÉ MANUEL OLIVEIRA e PAULA MARTINHEIRA  

Trabalhadores do Ocean Club estão a ser interrogados

Seis dias depois de Madeleine McCann ter desaparecido na Praia da Luz, a Polícia Judiciária centralizou as suas atenções nos funcionários do empreendimento turístico The Ocean Club, onde a família da menina inglesa passa férias, por suspeitar de que "alguém ligado ao pessoal" estará por trás do caso, apurou o DN. A situação está a gerar mal-estar entre trabalhadores e responsáveis do aldeamento.

Depois de uma inquirição inicial, logo após o desaparecimento da criança, os cerca de 400 empregados da unidade, na sua maioria portugueses, estão a ser novamente ouvidos pela PJ. Os interrogatórios começaram pelos funcionários mais antigos do resort, designadamente o gerente, de nacionalidade britânica (um dos primeiros a ser ouvido), mas abrangem também ex-empregados. Há pessoas que se queixam da forma "agressiva, exaltada e intimidatória" utilizada pelos agentes, apurou o DN. Uma dessas queixas partiu de um funcionário que voltou ao The Ocean Club recentemente, após ter tirar um curso de homeopatia e ter depois viajado para os Estados Unidos para se "aperfeiçoar". Quando regressou ao Algarve, retomou o seu trabalho na unidade. A sua vida foi "toda esmiuçada", afirma. "Tive de contar aos agentes os pormenores do meu percurso recente, os porquês das minhas decisões e o que fiz nos Estados Unidos", relatou, acrescentando ter ficado "incomodado" com o "tom intimidatório do interrogatório".

O DN soube ainda que um dos alvos das investigações da PJ foi uma moradia na Urbanização da Torraltinha, em Lagos, onde um casal inglês costuma passar férias, acompanhado de crianças. "A PJ sabia de quem era a vivenda e até as idades do casal, tendo vasculhado a caixa do correio", contou um vizinho.

A hipótese de a pequena Maddy ter sido raptada por uma rede de pedofilia ganha cada vez mais consistência. Na sexta-feira, o presidente da Câmara de Monchique, Carlos Tuta, destacou uma equipa de funcionários para fazer vigilância disfarçada aos passos de estrangeiros com comportamento suspeito residentes na zona da serra de Monchique e Aljezur, de habitação dispersa, onde será fácil esconder uma criança.

Retrato-robô tem três ângulos

Apesar de a PJ continuar a não divulgar o retrato-robô do suspeito, o DN apurou que este é de um homem desenhado em três ângulos - frente, perfil e costas, com três tipos de cabelo diferentes, entre curto e encaracolado. São três imagens computorizadas que foram mostradas pela polícia ao empregado de um restaurante na Praia da Luz que, sexta-feira, alertou a PJ sobre um indivíduo com "comportamentos suspeitos".

O homem, de estatura média, moreno, não aparentando ser português, nem inglês, foi visto por Adriano Marais uma semana antes do de-saparecimento de Maddy, a "rondar, vezes sem conta, zonas de apartamentos turísticos e a fazer telefonemas numa cabina telefónica perto da igreja da vila, várias vezes ao dia". Segundo aquele funcionário, o indivíduo deixou de ser visto quando se soube do desaparecimento. "Não é da Praia da Luz, nem tinha comportamento de quem está de férias", disse Adriano Marais, acrescentando ter visto o homem "sempre sozinho".

Operações 'stop' para multas

As operações stop são uma constante no concelho de Lagos, mas muitos carros têm sido mandados parar, não para a GNR fazer revistas, mas para detectar infracções. Foi o caso de Carlos Silva, mandado parar por duas vezes pela GNR na EN125, entre Portimão e Lagos, e multado em ambas em 250 euros por ter os pneus da viatura carecas e a inspecção fora de prazo. "A GNR nem olhou para dentro da viatura", disse ao DN.

Outra condutora, Ana Sousa, manifestou também a sua decepção quando, no sábado, passou sem incómodo por três sítios diferentes no concelho de Lagos, com a sua filha de três anos. "Pensei que me mandariam parar, já que a minha filha tem as mesmas características de Madeleine", observou, adiantando que, "afinal, ninguém me chateou e não vi a Guarda mandar parar um único carro".


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