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'Boom' económico na Alemanha gera máquina de criar emprego

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CARLA GUERRA, Berlim

AP - MICHAEL SOHN (imagem)  

Na cidade de Friedrichsdorf, perto de Frankfurt, a empresa farmacêutica Axicorp está a atravessar o período financeiro mais favorável da sua história. A produção de medicamentos a baixo custo tem registado taxas de crescimento inesperadas. O fundador e dono da empresa, Holger Gehlhar, revela que as vendas passaram de 50 para 80 milhões de euros e foram criados centenas de postos de trabalho. No Estado bávaro, a empresa de logística Dascher, especializada em transporte de componentes automóveis, viu-se obrigada a contratar mil novos empregados, número que a empresa justifica com a prosperidade económica dos seus clientes. Também em Berlim, o nascimento de pequenas empresas e dezenas de negócios como lojas de designers de mobília, acessórios ou moda abrem portas na capital, a grande maioria com o apoio monetário do Estado.

O crescimento súbito da terceira maior economia do globo superou as previsões dos institutos de pesquisa económica e deixou surpreso o governo da chanceler Angela Merkel. No espaço de um ano, entre Março de 2006 e Março de 2007, foram criados qualquer coisa como 900 mil postos de trabalho, tal não sucedia desde o pós-guerra na história da Alemanha.

Os institutos de pesquisa alemães são unânimes: até ao final deste ano serão criados ainda mais 450 mil postos de trabalho. A oferta tem aumentado de tal forma que as empresas vêem-se obrigadas a anunciar emprego na rua, como a Meg que lançou um cartaz em Koblenz a anunciar "Procura trabalho? Nós procuramos 500 novos empregados." A razão do sucesso reside no facto de muitas empresas terem adoptado diversas medidas como o aumento de emprego em part-time, redução de salários, aumento das horas de trabalho, uma subida em média de 37 para 40 horas semanais, para além de que centenas de trabalhadores entraram na pré-reforma neste último ano.

"Houve um aumento substancial dos lucros das empresas, da receita fiscal com os impostos dos novos contribuintes e uma redução da despesa com a diminuição de subsídios de desemprego. O resultado está à vista", explica Gebhardt do instituto RWI.

Pela primeira vez desde décadas, o crescimento germânico aproxima-se do nível norte-americano dos últimos anos que tem rondado os 3% e 4% de crescimento económico por ano. O Financial Times já classifica o fenómeno na Alemanha de "O novo milagre económico" e apela a países da União Europeia, como Itália e França, para basearam os seus modelos económicos no alemão.

Para já, apenas dois factores poderão colocar em risco este novo "milagre" da economia germânica: o declínio súbito da economia norte-americana, uma vez que é o principal cliente dos alemães e a Alemanha vive de exportações -a "galinha dos ovos de ouro"-, ou o aumento substancial do valor do euro.

Mas este cenário está afastado. Axel Weber, presidente do Banco Central Alemão, não prevê sinais de abrandamento para este boom económico. A tendência chegou para ficar pelo menos até finais de 2008, ano em que se prevê um crescimento de 2,4%. Só resta concluir que para um crescimento económico eficaz, das duas uma, ou o país controla o aumento de salários ou aumenta de forma significativa a sua produtividade. Perante o cenário actual, a Alemanha parece estar a conseguir os dois em simultâneo. |


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